Doença ou Paciência?

Se há expressões e termos na nossa Língua que levantam interrogações acerca da sua lógica (algumas das quais Eu já desmontei aqui), outras parece que foram escolhidas a pinça, independentemente do enviesamento com que aparecem no contexto que as recebe. E dentro destas temos o termo paciente, utilizado para definir a clientela dos Senhores Doutores.
Para mim alguém que vai ao médico deveria ser chamado de doente, porque é para isso que aquela profissão foi inventada - para curar doentes -, ou, quanto muito, de expectante, caso daqueles que consultam (cá está o trocadilho do costume…) o consultório para ver “Se está tudo bem”; agora paciente? Porquê?
Foi com esta incongruência que Eu me enfezei durante anos da infância, o que me levava ao médico, ouvindo logo de chofre um “Então o que traz cá este pequeno paciente?”, e isto alimentava, por consequência, a fome da minha inquietação. Foi uma época de desassossego em espiral que quase me levou à demência irreversível. Claro que estou a impingir um exagero: primeiro porque Eu era um enfezado por natureza e não por isto ou por aquilo; e segundo porque a demência nunca quis nada comigo – dizem que é um estágio que só atinge quem pensa muito…. Contudo, usei esta hipérbole para alertar que desde sempre esta “terminologia vesga” ocupou a minha mente, mesmo quando devia era estraçalhar o mEu tempo a brincar com carrinhos ou com as minhas priminhas à descoberta sei lá Eu do quê.

Mas toda esta nebulosidade já sumiu - pelo menos esta parte da nuvem - já que com a “responsabilidade” do adultar Eu comecei a finalmente perceber o porquê do termo paciente. Então cá vai:
- paciente porque é preciso paciência para ir ao médico, quando num estado de debilitação seria mais lógico que a cura viesse até nós;
- paciente porque depois de lá chegar temos de esperar por atrasos alheios, tantas e tantas vezes em posse daqueles a quem era suposto tirar-nos a doença (em vez da paciência, digo Eu);
- paciente quando temos de aturar faltas de educação desde o inicio ao fim do atendimento – isto no serviço público de saúde, porque se for a pagar, o mesmo lobo veste logo a pele…;
- paciente para não chocarmos com atropelos à ética decorrentes da alteração radical a proscrições dadas por outro colega na semana anterior (como é que uma classe tão corporativista pode ser tão pouco solidária ou tão absurdamente errónea?)
- paciente para enfrentar diagnósticos invertidos, e às vezes estúpidos, com um ar respirado lá bem fundinho;
- paciente para pagar somas brutais, em algumas ocasiões só por um cumprimento que deveria ser gratuito e obrigatório;
- e, finalmente, paciente para, depois de ser paciente e paciente, continuar a admirar e confiar cegamente numa profissão que Eu acho ser uma das mais fascinantes que um ser humano pode ter – reforço ser humano, porque alguns parecem animais – visto ser das que mais requerem humanidade, para si próprio e para os outros.

E foram estas observações que me levaram a concluir que o termo paciente realmente é o mais correcto e abrangente. E ainda por cima a paciência é algo que deve contaminar a própria doença – é preciso ter paciência para ser paciente, e é aconselhada paciência depois.


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O Segredo de Salvaterra de Magos

E porque me apetece – só mesmo por isso - Eu vou-me aventurar no estilo “rocócó literário”, que, tal como o parente arquitectónico, consiste em colocar adornos numa estrutura previamente definida, estragando assim algo que tanto trabalho deu a conceber por parte dos esmerados autores originais. Isto de uma maneira geral e levezinha, porque na pratica do que se trata é de vilipendiar algo que deveria ser preservado como veio ao mundo, no estrito interesse dos destinatários. Deste modo, escolhi para primeira experiência o efeite da sinopse de um filme, porque costuma ser um texto pequenino e Eu não tenho muito tempo nem talento para ir além dos dois parágrafos...

Mas, à frente que o tema de hoje assim o aconselha. Como já disse, Eu vou aproveitar este impulso estilístico para me debruçar sobre um filme, que acho ter todas as premissas para dar uma bela de uma adaptação à realidade, à paisagem e à cultura lusa: Brokeback Mountain; ou, traduzido à letra, O Segredo de Brokeback Mountain. A propósito deste titulo, Eu gostaria de fazer uma pausa na fluência do texto – uma das minha principais qualidades, como se nota agora - para chamar a atenção dos senhores que o determinaram para o seguinte: se não se esqueceram inadvertidamente de um N, deviam-no ter colocado, a bem da coerência com o argumento, assim o título deveria ser Brokenback Mountain, que seria traduzido para português como O Segredo das Costas Doridas na Montanha, e isto sim, tem tudo a ver com as coboiadas aludidas ao conceito da história (segundo dizem aquele tipo de homens - os vaqueiros - sofre de dores nas costas, o que até é compreensível, dado as montadelas constantes).

Antes de me intrometer na adaptação propriamente dita, convém ainda explicar que o que me levou a escolher esta película, e não outra qualquer, foi o facto do argumento se centralizar num tema sobre o qual sinto a necessidade de aprender mais e mais coisas para melhor entender as razões de se escolher tais costumes; isto porque por muitos filmes e documentários que passem, estes nunca serão os suficientes, ainda há muito a explicar e aprender (refiro-me obviamente aos hábitos dos cowboys, ou caubóis em português).

Então vamos lá à prometida sinopse* adaptada – o tal do rocócó -, apesar de toda a gente já estar mesmo a ver no que isto vais dar:

Salvaterra de Magos, 1987. Bruno e Alexandre conhecem-se quando procuram emprego como campinos na herdade de Anacleto Salvação Barreto. Ambos parecem ter certezas quanto ao que querem da vida - um emprego estável, um casamento feliz e uma família constituída. Quando Anacleto destaca Bruno e Alexandre para trabalharem na remota região de Salvaterra de Magos, os dois jovens campinos sentem-se unidos por uma força maior que resulta numa relação de camaradagem e intimidade profunda. Com a inspiração do suor e da brutalidade taurina, e com o acicatar da libido pelas calças excessivamente apertadas e curtas, que deixam a mostra uma sensual meia de renda, esta camaradagem depressa se metamorfiza num desejo incontrolável e traiçoeiro de ir mais fundo, até à descoberta mútua do conhecimento interior ….

Em relação ao realizador, produtores, elenco e á banda sonora Eu tenho os meus palpites, mas gostava de também ouvir os vossos – o tema de abertura é que tinha de ser o “Estupidamente apaixonado”, do poderoso Toy, desse é que Eu não abro mão.

*se quiserem ler o original, como ponto de comparação, façam-no aqui
.
Bom fim-de-semana


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...são crianças, não são periquitos

Ainda amolecido pelo texto anterior que o Macaco Adriano me emprestou – continuo a não ser capaz de dizer isto sem que as lágrimas me traiam a vista – vou aproveitar para falar de outros animais queriduchos e fofinhos.

Os portugueses (não é destes, que estes são animais mas não são queriduchos e muito menos fofinhos) distinguem-se do resto da espécie por as suas características psico-sócio-motoro-comportamentais. É um dado adquirido que ninguém poderá por em causa, mais que não fosse, pela panóplia de escritos cientificalóides e anedotas que já se produziram sobre esta gente sui geniris. E Eu venho adensar este dogma com mais um dado relevante: o nosso povo tem um gene próprio da língua e da nacionalidade – o chamado Gene de Noé (chamado por mim, que ainda ninguém o tinha estudado o suficiente para lhe chamar o que fosse).

Estou convencido que esta característica genética existe em todos nós apesar de estar adormecida em muitos, porém, a generalização da sua exposição em todos os pontos cardeais da nação, e no fundo em todo o mundo onde nos encontramos, bem como a transversalidade etária com que se manifesta, supera em larga escala os compatriotas com esta porção do genoma “dormente”, nos quais Eu me incluo assumidamente.

O agora identificado gene, na sua forma mais comum – a activa –, transforma o seu possessor em alguém que é obstinado pelo emparelhamento dos seres (daí a justificação do nome – Gene de Noé) levando esta mania ao limite quando fala de crianças (também ainda não é esta a referência do primeiro parágrafo, que estes são queriduchos e fofinhos, mas não são animais).
E como podemos comprovar se estamos perante um “Noerento” (nome que resolvi dar à pessoa com o gene activo)? O mais fácil é numa normal conversa sobre filhos, exemplo:
...
- ah tem dois filhos... um casalinho, não? (dito com um brilho no olhar iluminado por um sorriso de esperança quase trascendental)
- sim...
- que giro! (rasga-se o sorriso, e vê-se que não salta por pura vergonha, porque todo o corpo espasma)
...
.
Nitidamente este terá sido o pensamento do sr. Noé enquanto andava à procura de animaizinhos para atafulhar na arca, e via dois: “É um casalinho, que giro!” (comprovação da lógica do nome, para quem tinha dúvidas).

Ora, como Eu sou um dos que tenho assistido a este desvario várias vezes da parte de fora (não o tenho activo – o gene – como já disse) penso sempre da mesma maneira, às vezes em voz alta infelizmente “Um casalinho? Que giro? Oh meu amigo estamos a falar dos mEus filhos, não de periquitos (é esta a referência do primeiro parágrafo, é esta!) não os quero para acasalarem nem tão pouco para procriar, preciso deles para os amar e ver crescer, mas que observação é essa?”.

É aqui que a preversidade do gene se revela em força, mostrando um olhar de estranheza e um “Ah pois...mas assim já tem um de cada”. “Um de cada”!?, “um de cada”!!??; poderiam retrair-se, mas não, insistem, levando-me a rematar com um original “ É preciso é que tenham saúde”. A isto respondem sempre com um quase desiludido “Claro”, muitas das vezes ainda reforçado com um insistente “Mas é um rapaz e uma rapariga, já está despachado” que os leva à fase e à face inicial. A eles, porque Eu já não dou troco, isto já está tão enraizado, é tão automático, que já sei o que espero e até aonde.

Posto isto, e uma vez que tenho mais coisas para escrever mas não posso, que o mEu “casalinho” já chegou, quero alertar para duas situações:

1. Se algum periquito está a ler isto, espero que não se sinta pelo facto de Eu escrever e dizer “São crianças, não são periquitos” que isto não tem nada de depreciativo nem é uma “caricatura”, é apenas uma comparação, só.

2. Se não leram o texto do Macaco, façam-no já aqui em baixo, que é a oportunidade de lerem qualquer coisa como deve ser até à próxima quarta-feira


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Quarta (raio me parta) - convidado: Macaco Adriano

Nesta selva existem macaquinhos, macacões e outros animais. Existem macaquices, macacadas e, também, umas cacadas. E lá em cima, bem em cima, está o Macaco Adriano a baloiçar-se energicamente, enquanto come umas Bananas e atira com as cascas…
Agora é contigo Adriano (muito obrigado):



A MÃE DE TODAS AS "CRACIAS"

O desafio foi feito por Eu e aceite por mim. Constava de escrever sobre qualquer assunto do meu interesse, mesmo que não fosse do interesse de Eu. Depois de muito reflectir, eis que descubro que só sei dissertar sobre três coisas: mulheres, religião e política. Mulheres é assunto corriqueiro entre homens e uma dissertação da minha parte não viria acrescentar nada àquilo que já se sabe. A vantagem das mulheres em relação, por exemplo, ao futebol é que no caso delas falaria com toda a imparcialidade, pois gosto de loiras, morenas, mulatas, pretas, amarelas, vermelhas e azuis, se as houvesse. Quanto à religião, já tenho falado demais dela noutro local, embora no assunto tenha uma autoridade que me é conferida pela minha irreligiosidade, pois que só esta permite estudos comparativos entre religiões que estariam minados à partida caso fosse prosélito de uma delas. Seja como for, excluí estas três hipóteses pelos motivos enunciados, pelo que sobra apenas uma: a política (embora, como se verá, as mulheres e as religiões não possam ser dissociadas do sistema político que aqui defendo).

Determinado país ser uma Monarquia ou uma República nada tem a ver com a forma de poder que nele se pratica. É aqui que entram as "cracias". De uma selecção natural que é resultado de séculos de história ficou a democracia como forma de governo normalmente aceite. O problema é que a própria democracia não é exercida da mesma forma em todo o lado e, se nos países nórdicos, por exemplo, ela é, de facto, a forma que o povo tem de exprimir a sua vontade, em Portugal isso já não é uma verdade assim tão absoluta, uma vez que aquilo a que vulgarmente aqui se chama uma democracia tem muito mais de outras "cracias", como a plutocracia (o poder é exclusividade dos ricos e poderosos), a partidocracia (o poder nunca pode ser exercido fora da lógica partidária) e a burocracia (forma de o Estado entravar sistematicamente a acção normal dos seus cidadãos, impondo procedimentos oficiais desnecessários). Aqui parece que chegámos a um impasse. Então se mesmo o menos mau de todos os sistemas pode não servir, o que nos resta? E eis que, de repente, o meu dicionário me mostra o caminho. Afinal, existe uma "cracia" que ainda não foi experimentada e a maioria das pessoas nem sabe que o conceito existe. Trata-se da PORNOCRACIA. A pornocracia não é mais do que a influência das cortesãs no governo de uma nação. Ora, sendo eu liberal, progressista e um combatente contra o conservadorismo sempre fechado a ideias novas, considero que é este o regime político que falta experimentar. Não sei se seria bom para o défice, mas isso é o que menos me preocupa, pois com défice ou sem ele, a verdade é que nós, cidadãos, não saímos nunca da cepa torta. Pelo menos assim, com as cortesãs, andávamos todos mais contentinhos. Havia apenas uma condição sine qua non: as religiões monoteístas teriam que ser abolidas, pois um sistema destes não se compadece com um Deus que nos criou com corpo para depois no-lo atirar como objecto de todos os pecados. A Luxúria seria a religião de Estado e apenas seriam permitidas outras religiões que não interferissem com esta. O Hino Nacional, esse, podia muito bem ser "João e Maria" (música de Sivuca, letra de Chico Buarque). Fica aqui um excerto: "…E pela minha lei A gente era obrigado a ser feliz E você era a princesa Que eu fiz coroar E era tão linda de se admirar Que andava nua pelo meu país". Ámen.


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Reacções extremas (que não lembravam ao famoso fisiologista russo e muito menos ao cão)

Accção: na Dinamarca foram publicadas caricaturas de um profeta islâmico

Reacção: os fundamentalistas islâmicos (quase-gente que já deu provas mais que suficientes da sua bestialidade) desataram a apedrejar embaixadas, queimar bandeiras e a praguejar a morte a todo o estado da Dinamarca e até à Europa

Contra-reacção: os responsáveis políticos dinamarqueses pedem desculpa, mostrando uma inteligência e educação que nunca poderá ser compreendida pelos reaccionários
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Acção: em 1989, através de duas intervenções públicas na Áustria, um historiador britânico (David Irving) negou a existência de câmaras de gás em Auschwitz e atirou de seguida que a primeira grande perseguição violenta contra judeus, perpetrada na Alemanha em 1939 (baptizada na história como “A Noite dos Vidros Partidos”), não foi da responsabilidade dos nazis.

Reacção: do alto do seu avanço civilizacional, a justiça austríaca (pela mão do Tribunal Regional de Viena) condenou o homem a três anos de prisão pelo crime de “ter negado a realidade das câmaras de gás e do Holocausto, durante a II Guerra Mundial”, demonstrando que naquele país da “Europa superior” não há liberdade para expressar as parvoíces que se quer sobre o holocausto.

Contra-reacção: David Irving, que estava preso desde Novembro, pede desculpa e diz "Cometi um erro quando disse que não havia câmaras de gás em Auschwitz", acrescentando lamentar "todas as pessoas inocentes que morreram durante a II Guerra Mundial".
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Acção: em Portugal, no passado mês de Janeiro, o presidente de uma autarquia definida entre Lisboa e Cascais é acusado e constituído arguido pelo Ministério Público de corrupção passiva, branqueamento de capitais, abuso de poder e fraude fiscal.

Reacção: ontem foram apresentadas, na assembleia municipal daquele município, duas moções a exigir que o autarca suspenda o mandato de presidente da câmara, na sequência da acusação do Ministério Público.

Contra-reacção:
1. o visado repudia e desvaloriza as moções utilizando comoventes argumentos, com um sacana sorriso na cara, que passam por isto “nada do que o acusam diz respeito ao seu exercício como autarca” (mas é ou não culpado, Sr. Dr.?); “agora já sabe do que o acusam e por isso já se pode defender” (sim, mas é culpado ou não?) “acredita que não será condenado porque se pode defender” (é culpado ou não, caraças?) – as moções não passam, o homem toca a caravana e os cães ficam a olhar com a língua de fora

2. o tempo continua a arrefecer em Portugal continental, e Eu apanho uma constipação que me impede de dormir quase toda a noite…


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Hiper marcado

Sabem V. Exas. o que mais me transtornou no instantâneo devorar das pequenas mercearias pela bocarra das grandes superfícies? Ou, por outra, o que Eu acho que tenha sido a maior perda nesta troca do “pouco mas de boa vontade” pelo “tudo e muito”? Não sabem, pois não? Claro, Eu ainda não disse, mas vou dizer.

Do que tenho mesmo saudades não é do chão de marmorite nem é da arrumação criteriosa dos detergentes ao lado das caixas de Nestum e do cesto das cebolas; não é dos bibes floridos abotoados ao meio nem da esferográfica atrás da orelha; não é dos preços manuscritos em toscos pedaços de papel pardo nem da conta feita, a caneta bic ou com lápis de tabuada, na folha das serralharias das páginas amarelas de 1981; não é da luz deficiente e muito menos do cheiro intenso a charcutaria rançosa… Não, o que me faz definitivamente falta são os nomes, aqueles imaginativos nomes suportados em toldos berrantes, ou não, que nos obrigavam a olhar e decorar, e até a optar por “esta” ou por “aquela” de acordo com a capacidade sedutora do nome.

Agora só nos resta a repetitividade de uns poucos chavões e agressivas campanhas publicitárias. São sempre os mesmos, nos mesmos sítios apesar de em lugares diferentes. Perdeu-se uma tradição que permitia ao próprio cliente derivar para o seu próprio termo, como a minha avó tantas vezes fazia, rebatizando à sua vontade a venda que escolhia, sem ninguém se importar. Perdeu-se a interactividade dos nomes.

Aqui ficam alguns que ainda fazem parte do mEu imaginário (com especial relevância para os postos na luz a partir da mente de proprietários indianos, que, engenhosamente, utilizavam a letra “K” como elemento de ligação estratégica):

Ti Carminda
Maria Preta
Katekero
(indiano)
Tip Top
Trinca-Trinca
Kompraki (indiano)
Lima Limão
Baratinho
Katespero
(indiano)

Que saudades!


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teste...1,2...hah...

Na sequência de algumas reclamações expressadas publicamente por saltapocinhas, susanix, manda-chuva e macaco adriano, bem hajam, e através de tentativas de agressão/rapto por indivíduos que se identificam aos gritos como "leitores encapuçados" - ainda para mais alguns dos quais mEus amigos, que reconheço pela voz e pelo tipo de pelugem dos braços -, abordagens destiladas pelas (deficientes) condições em que disponibilizo os mEus textos, Eu preconizei umas alteraçõezitas na formatação, de modo a tornar este espaço um pouco mais comestível.

Não são de grande monta que nestas coisas Eu sou mais conservador que os senhores do Vaticano em relação ao sexo e seus derivados, e quase tão teimoso como uma mulher bêbeda, mas são aquelas que Eu achei poder efectuar sem alterar significativamente a essência deste...isso.

Espero que surtam o efeito desejado, que, necessariamente, passará por uma diminuição do número e gravidade dos termos injuriosos com que se dirigem à minha pessoa, e por uma leitura sem lágrimas daqui para a frente, independentemente dos textos e da forma como são escritos.

Gostava ainda de solicitar aos ilustres leitores que tenham algo mais a obstar, para o guardarem para si, que Eu já estou farto de críticas e tenho pouco tempo para perder com cores, tamanhos e tipos de letras. Como sei que estou a pedir demais, e sei também que este último parágrafo pode levar ao colapso definitivo do número de leitores, peço então que coloquem as vossas sugestões nessa urna aí em baixo, onde habitualmente se depositam os comentários (mais uma vez esta participação não será recompensada - é um dever cínico).

Obrigado; Gracias; Merci; Thank you; Danke; Grazie; あなたに感謝しなさい; 너를 감사하십시요; 谢谢; e por aí a fora…


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Que (grande) porcaria

Antes de mais, o (grande) refere-se unicamente ao tamanho do texto, não tem nada a ver com o conteúdo – não estou aqui para enganar ninguém, desistam enquanto podem. Para quem teima em continuar, o texto começa já a seguir, no primeiro parágrafo como de costume

Sempre que saio da paisagem e vou dormir a Portugal (entenda-se saio de Portugal e durmo em Lisboa) Eu instalo-me num número de uma dada rua ali no centro dessa magnifica metrópole. É uma rua pacata, sossegada e familiar até.
E o que me trouxe hoje até vós é que ultimamente - acho que esta observação coincide com o desenrolar das últimas eleições autárquicas – denoto uma grave perturbação ao normal desenvolvimento da vida social daquela micro-comunidade e dos que por ali gravitam ocasional, periódica e habitualmente.
Não, não estou a apontar para o estacionamento furtivo, que isso ali é um chão que agora está a dar uvas para os homenzinhos verdes desse planeta estranho, amistoso ou nem por isso (ainda está por provar), o EMEL - também no resto da cidade já não é um problema, é uma imagem, não de marca mas que marca (marca as canelas daqueles que estupidamente insistem em caminhar pelos passeios). Todavia não é sobre isso que vos estou a fazer perder o tempo do vosso patrão (expressão vilmente roubada a esse vulto da sátira blogueira, o manda-chuva), apesar do centro da vossa curiosidade também ocupar os passeios. Contudo não é automóvel, ou por outra não é auto, porque móvel fica depois de se fundir com as solas dos sapatos…
Mas vamos por partes a ver se nos entendemos (vocês, porque Eu já sei o que vou escrever e como o vou fazer).
Ultimamente, tentava Eu iniciar a exposição antes de começar a divagar (ou a devagar - aí trocadilho!) como está a acontecer agora, assisto a uma mudança de hábitos que veio confundir toda a gente: os serviços camarários resolveram lavar os passeios todas as noites. Ora isto faz com que as diferentes formas de cocó caninas, no tamanho e na origem – este é o verdadeiro tema central do texto, finalmente – não existam pela manhã; dividam a ocupação com as pedras da calçada no pós-almoço; e só depois do jantar praticamente revistam toda a área pedonal. E é precisamente aqui que bate o ponto porque, se no antigamente esta última era a situação normal ao longo de todo o dia - (com licença) merda por todo o lado -, o que fazia com que os transeuntes circulassem sem a dúvida da agressão a um dos ditos montinhos - era inevitável -, agora a evolução do estigma ao longo das horas conturba a caminhada. Nunca se sabe o que, como e onde se vai encontrar. Os ditos desarranjos, digamos, que desarranjam o anterior arranjo do passo.
“Mas isso é errado?”, claro que é.
Primeiro porque, recorrendo a um conceito caro ao grande estudioso e professor de urbanismo Kevin Lynch, apaga-se uma referência da cidade – ex. ao chegar ao destino com os pés enfeitados de consistência, cor e cheiro, qualquer pessoa demonstrava que tinha passado por aquela rua, servindo até como um bom catalizador de conversa:
- iiichh, hoje vieste a pé e pela rua tal
- pois foi, e tu não lavaste os dentes, nem o teu cônjuge lavou…(
e por aí além);
Segundo e mais grave, a falta de confiança no espezinhar certo e certeiro da “pasta canina” força os pedestres a olharem constantemente para o chão, e pior, leva-os a andarem aos saltinhos em bicos de pés – o que se acentua à medida que o dia fecha - como se atravessassem um rio infestado de jacarés, quando dantes o faziam confiantes e em passos seguros, no pré e no pós esborracho. Agora, ainda para mais, fazem caretas e praguejam. Ridículos! Como se pode esquecer assim, em tão pouco tempo, a identidade duma rua.
O que é mais revoltante é que os moradores-donos não têm culpa nenhuma neste cartório; eles continuam a alimentar zelosamente os seus canídeos e a facultarem-lhes, com o mesmo zelo (ou mais ainda) o despejo nos passeios dia após dia, durante todas as horas. Como dantes.
Os limpa-município é que vieram baralhar o esquema todo, com os seus coletes reflectores e as mangueiras saneantes. Que não se acerquem responsabilidades aos residentes, hã. Nem aos donos nem aos possuídos.
Carmona, como sei que me estás a ler, vê lá se tratas disto. Não te deixes levar por tendências de asseio, pensa também nos donos e nos cães. É injusto tanto esforço (não só canino-rectal, como a subir e descer elevadores e escadas) ser lavado todos os dias por essa água contra-laxante. É que se está a lavar a cultura e os hábitos de todo um nicho lisboeta que também merece ser respeitado. Pensa lá nisso, está bem?


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Dioptrias e mais ias

Eu uso óculos. Nem sempre, mas a maior parte do tempo que ando acordado tenho-os postos.
Não é que tenha grande falta de vista. Pelo contrário, segundo o que dizem, até tenho uma insuficiência bastante atenuada que, ainda por cima, estabilizou a partir de certa idade. Mas gosto de os usar, ainda que c
onsiga fazer tudo sem eles, com eles vejo muito mais nitidamente - o que está longe, porque o que se encontra junto de mim, pertinho, vejo perfeitamente, com e sem óculos.
Têm umas lentes engraçadas, daquelas que escurecem quando há demasiada claridade, aparentemente tornando a visão mais cómoda. Digo “aparentemente”, porque, se por um lado diminui o desconforto, por outro não deixa de tirar alguma veracidade ao que se vê. É por isso que de vez em quando abdico de tal protecção e observo só através dos meus olhos, mesmo correndo o risco de ver distorcido, o que não deixa de ter piada, porque esta é que é realmente a minha maneira de ver as coisas. Não o faço muitas vezes, limito-me a fazê-lo quando considero verdadeiramente importante para mim. É isso, não me preocupo de ver o que realmente importa sem óculos, sem artifícios, porque, apesar de algo desfocado e nublado, é o que me interessa reter, para depois, eventualmente, descrever a quem estiver interessado ou em narrações circunstanciais.
Quanto ao resto, vejo com óculos para ver os limites bem definidos, as formas contidas e as cores bem vivas. Ou pelo menos ver melhor…
É esta a minha visão do mundo. E é com ela que me guio.

(exemplo de um texto que não diz nada ou diz muita coisa, depende se usamos os óculos ou não)


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rapidinha : Ramo de noiva

Há pessoas que chegam do nada e depois valem tudo

(outras nem chegam a valer nada)


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Quarta (raio me parta) - convidado: Zeca

Porque sempre acreditei que “isto aqui, isto aqui” NÃO “é uma data de ladrões; uma data de gatunos; e uma data de chupistas” atrevi-me ao Zeca, do Plagiadíssimo (aqui a sequela, o original está linkado ali ao lado) companheiro nesta viagem que, segundo Eu, tem um dos blogs mais imaginativos da esfera.
Fi-lo com a convicção de que alguém que tem uma ideia tão original, e o bom gosto de a alimentar como o faz (agora melhor, mas já houve alturas em que vacilou…), também há-de ter muitas histórias a contar e um talento especial para o fazer.
E, para variar, não me enganei. Então vamos lá ler…


Coca & Rissol

Queres alguma coisa da rua?
Sim, se passares pelo Sni traz o Catavento deste mês.
Um beijo, até já.

Boa tarde, desejo uma cola e um rissol se faz favor.
Concerteza
Desculpe, mais uma garrafa de água.

Está um belo fim de tarde, límpido como à muito não se via.
Passo o olhar em redor e vejo um gato a olhar para mim.
Faço-lhe uma festa e deita-se aos meus pés.

Desculpe, sabe de quem é o gato?
Sei, é do meu patrão. Sabe uma coisa? A cadeira onde está sentado é o ninho dele para descansar.

Peço a conta, pago, levanto-me e saio. Dou três passos olho para trás e vejo o gato a saltar para o ninho dele.
Subo a Av., acendo um cigarro e no meio dos pensamentos umas vozes chamam-me á atenção.
No meio da relva estavam sentados quatro crianças. Talvez o mais novo com 8 anos e o mais velho 14. Entre eles uma menina.
Dirijo-me a eles e sento-me na borda da reunião.

Posso?
Quem és tu?
Eu? Ninguém, só me apeteceu estar aqui…
Hum.... o que fazes?
Sou técnico de cinema.
Quantos anos tens?
54
E tu?
12
E eles?
Entre os 9 e os 14

Desculpem, mas o que é que estão aqui a fazer?
Não vê?
Ver vejo, mas........
Mas o quê?
Isso?
Isto?
Sim, isso!
Cola.
Cola?
Cola.
Há quanto tempo estão aqui?
Há prá aí uma meia hora.
Mas ó cota, isto é algum interrogatório ou quê?
Nada disso, só penso é que estão a deitar a vida para o esgoto!
Esgoto é a própria vida, senhor.
Já agora como é que se chama?
Luís Luís
Assim com dois Luíses?
Assim mesmo.
Tens filhos?
Dois e dois netos?
Sortudo e o que fazem?
Vivem a vida como ela é.
Não, os netos!
Esses estão a estudar, o mesmo deveria suceder convosco.
Connosco? Isso é outra conversa!
Não vão à escola?
Não.
Não?
Não.
Mas, os vossos pais o que é dizem?
Os nossos pais? Que pais?
Todos vivemos com a Lua e alimentamo-nos do Sol.

Fim


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É hoje!

Dia 14 de Fevereiro. Desde que comecei a namorar com a minha mulher (dizer isto é mesmo machista, mas sabe bem) que este dia tem um significado especial.
Começa sempre da mesma maneira - conversamos sobre o acontecimento, combinamos o que fazer, como fazer, a que horas… enfim, tentamos acertar agulhas para que nenhum de nós atrapalhe o correcto desenvolvimento da coisa.
Não é que seja uma grande festa, longe disso, mas é sempre uma ocasião especial que só acontece uma vez por ano, e ainda por cima neste dia, onde tudo o que nos rodeia tende a centralizar o que fazemos no outro eu (para quem tem) ou no próprio eu (para os que gostam mais assim). É dia de partilhar emoções e prazeres. E é disso que se trata.
É á noite, sempre (não me lembro de alguma vez ter sido celebrado ao almoço), o que faz com que as horas vão passando em expectativa e tantas vezes apoiadas em telefonemas:
- É preciso comprar mais alguma coisa?
- Sempre é aquela hora?
- É lá ou vamos para algum lado?
São perguntas que vão sendo repetidas pelo telefone, no meio dos habituais “nhónhós”, que hoje se adoçam ainda mais.
Depois vieram os miúdos, o que, compreensivelmente alterou toda a logística e articulação do evento. Por um lado complicaram – mais barulho, mais azáfama, mais preocupação –, mas por outro trazem muito mais alegria e entusiasmo. Riem, fazem rir; gritam e assim sucessivamente. Não deixam esfriar a data, nem a celebração. Não esquecem, fazem lembrar. Obrigam a sentir.
É hoje que acontece, todos os anos – os que passaram e muitos que virão. Dia 14 de Fevereiro, Dia de S. Valentim, Dia dos Namorados:
A minha sogra faz anos. Parabéns sogra. Logo lá estaremos.

Ah, mais duas coisas:
este texto é sincero e não contém uma vírgula de ironia, gosto muito da senhora, ou não a tivesse convidado para minha madrinha de casamento (se ela aceitou ou não é cá com a gente);
bem sei que aqui e ali o texto parece a publicidade da PT (ex: "Começa sempre da mesma maneira", “É á noite, sempre”), mas isto não quer dizer que Eu tenha alguma coisa a ver com aquela empresa e muito menos com OPAs ou respectivas “contras” - quanto muito telefono de vez em quando e às vezes faço compras no hipermercado do “agitador” (como aliás já revelei num texto anterior).


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Entre burros e calhaus

Se há dias que nos doem até à dúvida, outros passam em que não deixamos de sorrir, mesmo não o revelando na cara. Dias que mostram que realmente vale a pena.
Foi por um desses dias que passei neste fim-de-semana, por incrível que possa parecer, entre burros e calhaus. Não, Eu não assisti a nenhum comício político, não estive presente numa convenção de árbitros de futebol, nem visitei nenhuma casa filial de um dos dois clubes quase grandes.
Estive realmente entre Burros e Calhaus, AQUI (aliás, depois desta experiência Eu vou deixar de utilizar estes termos como arremessos depreciativos, uma vez que assumo como provado que os burros são animais amáveis e obedientes; e os calhaus proporcionam um silêncio e uma quietude quase sapientes e deveras inspiradores).
Ali encontramos paz, ou melhor encontramos A Paz. Aquela que nunca poderá ser obtida nem forçada através de tratados ou outros intentos; aquela que realmente existe.
Ali desintoxicamo-nos de tudo o que nos contamina a inocência e sorrimos, esquecemos, somos, amamos.
Ali a vida não se impõe, articula-se e harmoniza-se numa monotonia de cores e silêncios que provam que, muitas vezes, é nas coisas mais simples e desprovidas que podemos encontrar a perfeição.
As pedras, na sua inanimação, dão-nos vida; o vento obriga-nos a abraçar e o sol ilumina-nos por dentro. Parece que tudo existe assim para nos agradar. E agrada.
Quanto aos burros, esses mostram uma disponibilidade que nos leva a perguntar “Quem terá sido o asno que resolveu denegrir a imagem destes pobres animais em comparações com o Homem?” coitados dos bichos, não mereciam tamanho desprestigio (chuvamiuda, desculpa lá estar a entrar na “tua ceara”…)

Agora já sabem, quando quiserem experimentar um dia de coisas boas vão AQUI. Acreditem.

(como sei que muitos se sentem defraudados com o texto, e continuam a crer que ser burro e calhau é um exautoro, aqui fica um bom exemplar de tal categoria de gente que dá má fama aqueles nomes
. Divirtam-se e não o constipem)


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Disfunção...

Hoje estou muito desmoralizado. Digamos que estou assim abatido, caído…murcho.
Eu já tinha ouvido falar disto, e avisaram-me os mais calejados que mais cedo ou mais tarde também me poderia acontecer, mas não esperava que fosse já.
- Acontece a todos. Um dia vais tentar e… nada!
- Comigo não - dizia Eu - Até agora sempre consegui, não me vai falhar assim…
- Ai não? Vais ver! Quando menos esperares…
Foi hoje. Infelizmente. Nesta sexta-feira, o dia que guardo para as minhas melhores performances (estrangeirismo, humm…) falhou-me.
Desde manhã que Eu ando a tentar e não consigo. Não vou lá…
Vou desistir. Já fiquei a olhar; já ouvi música; já ingeri pastilhas; já li; já vi televisão…todos os estímulos possíveis e….não consigo. Não consigo! Pronto, vou desistir. Amanhã será outro dia (frase feita, forte indicio de que realmente algo está mesmo a correr mal).
Há que ter calma, que enervar-me não ajuda; antes pelo contrário, aumenta a angústia e bloqueia ainda mais.
Vou tentar descansar; não pensar nisto, quem sabe uma refeição abastada, e aguardar serenamente que a vontade se materialize em algo que se veja, porque neste momento não há aqui nada de palpável. Mesmo bem, e muito, espremido continua mirradinho como … Eu nem sou capaz de arranjar substantivo, tal é a falta de pujança. Tss tss (onomatopeia, sintomático) quem diria?
Admito, não vejo nenhum problema nisso: Deu-me uma “branca” – ou amarela, ou preta, ou vermelha, ou o que quiserem, que aqui não há preferências cromáticas – não me sai nada.
Peço desculpa pelo tempo perdido, mas, olhem, voltem segunda ou leiam o texto anterior que, diz quem sabe, até é giro. Se já o fizeram, leiam outra vez ou aproveitem para ler coisas idas, que hoje não levam nada – paciência!

Obrigado e mil perdões.

Bom fim-de-semana


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Publicidade (muito) enganosa

Há aí algum advogado especialista em instrução de processos contra entidades que se valem desse flagelo das sociedades evoluídas que dá pelo nome de “publicidade enganosa”? Mas tem de ser um mesmo bom, ou mesmo boa - de preferência - que isto não é guitarra para as unhas de um novato (e muito menos da DECO, mas agradeço a sugestão).
Está em causa uma acusação que nos vai dar muitos euros e, portanto, Eu quero alguém sanguinário, daqueles mesmo sem escrúpulos. Ah, já tinha dito que queria um advogado, então pronto, está dito.
Passo a explicar, depois de ter encomendado duas botijas de gás - GALP, que Eu, como o Jumbo, gosto de usar o que é Nacional (e de uma penada rocei a nova campanha publicitária que o portuguesíssimo grupo económico Auchan tem para aquela cadeia de hipermercados; e a vitória ontem sobre o Nacional (mas) da madeira) –, mas dizia Eu que, depois de fazer a encomenda, foi-me indicado que lá pelas 18 horas a entrega seria feita. E assim foi, mais minuto menos minuto, por volta da hora marcada (isto já está a soar a uma letra de canção portuguesa dos anos 80…) lá o puxador foi incomodado e (segundo os defensores dos direitos dos penduricalhos das portas) humilhantemente arremessado contra a porta, produzindo um original “toc, toc, toc”.
Claro, que entusiasmado fui a correr e perguntei “Quem é?” à espera de ouvir uma lânguida e doce voz feminina responder “É o gaaaaás”. Mas não, o que Eu ouvi foi um seco e estridente “É O GÁS!”. Estava visto que do outro lado não me esperava uma “miúda do gás”….
Abri, e dou de caras com a mesma figura gorda, vesga, oleada, despenteada e naturalmente cheirosa a fim-de-um-dia-de-trabalho-árduo-que-não-começou-com-desodorizante, de sempre – o filho do sr. Ferreira.
Eu já sabia que possivelmente aqui, de onde escrevo, não me iria aparecer uma simpática menina pernilonga, com uns curtíssimos calções repuxados até às axilas; mas pelo menos podiam ter destacado um ser feminino, caraças! E com uma bilha das novas, que estas estou Eu farto de ver.
Nada! Nem menina, nem bilha, nem voz, nem sandálias, nem calções, nem… – NADA! Tudo na mesma.
Perguntei, assim como quem não quer a coisa (mas ao mesmo tempo quer) “Então agora não vão haver miúdas a distribuir o gás? É o que dizem na publicidade...”, ao que homem respondeu “está aqui a factura” logo seguido de um esgar daqueles que nos chamam parvos.
E pronto, cá está, na minha opinião de consumidor desiludido, um motivo para processar esses vigaristas gaseados. Aquele anúncio induz em erro, é falso e gora as expectativas do cliente mais fiel e dedicado.
Eu vou processá-los! Quero uma indemnização com muitos zeros, ou então - e já não faço por menos – Eu quero aquela miúda do anúncio a entregar-me o gás (prometo que gasto muito).
Se não satisfizerem os mEus anseios Eu vou começar a queimar bandeiras da marca e a apedrejar depósitos de bilhas (este último parágrafo é falso e pateta, mas é só para saberem que não estou alheado da realidade mundial).


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Quarta (raio me parta) - convidado: SALTAPOCINHAS

E quem é SALTAPOCINHAS? Quanto a mim é uma menina de vestidinho branco que gosta muito de estar com os Golfinhos, ou seja, alguém que se identifica muito com aquilo que Eu gostava de ser. Mas, para além destas qualidades, consegue escrever uns textos que me deixam mais relaxado que uma massagista tailandesa. Para mim são ao mesmo tempo leves, sérios, verdadeiros, doces, e, sobretudo, muito bem escritos.
Por falar em doces (que passagem tão subtil…) também vejo nela alguém que habita no paraíso dos gulosos – Aveiro; ou não fosse esta maravilhosa cidade a origem dos mEus doces favoritos (Eu nem vou dizer o nome para não me babar, mas sempre posso adiantar que são feitos com gemas e açúcar, e a capa de fora consegue-se através da mistura de água com farinha. Pronto, uma pista: o nome começa por aquilo que as galinhas põem e acaba no antónimo de rijo). Fiquem com a “menina saltitona”:
.

Perdeu-se

Perdeu-se na zona de Aveiro ou arredores um "sentido de humor". Não trazia vestido nada de especial, não tem nenhum sinal particular, nada há que o diferencie dos outros. Era um sentido de humor banal que achava graça a quase tudo. Mas era o meu, faz-me imensa falta, daí este apelo. Se por acaso encontrarem por aí perdido um sentido de humor sem pessoa é capaz de ser o meu... Por favor, devolvam-mo. Já se, também por acaso, encontrarem uma pessoa sem sentido de humor, fujam, pois posso ser eu!


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não são estranhos, são mEus

Não percebendo muito bem o porquê, Eu fui intimado por esta senhora a revelar os mEus cinco hábitos mais estranhos.
E não percebo porquê? Porque pensava que por esta altura (ao fim de tantos textos publicados) já toda a gente tinha interiorizado que Eu não tenho nada estranho, muito menos hábitos!
Mas, enfim, para além da minha própria existência – que não é um hábito, mas uma necessidade – aqui ficam algumas coisas menos normais, digamos assim:

- só adormeço com as orelhas tapadas;
- estou constantemente a estalar o encaixe dos maxilares;
- lavo sempre as mãos antes de tomar banho;
- começo a cortar as unhas sempre pelo mesmo dedo da mesma mão;
- gosto de comer miolos de animais (borrego, vaca, coelho e outros peixes - de preferência quando mortos e cozinhados, claro)

E quem se vai revelar a seguir, quem é? Não sei, porque Eu não gosto de dar seguimento a correntes virtuais, como se costuma dizer: Eu sou o elo mais fraco.
Pronto, Alyia, agora não espalhes que isto é tudo segredo.


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Monday bloody Monday

É verdade, depois de duas derrotas altamente inesperadas e quase inaceitáveis; não me ter saído o jackpot do euromilhões nestas duas semanas; e, pior, ter assistido a otites alheias que também são as minhas, e tosses nocturnas que gostava que me pertencessem; eis, senão quando, que nesta linda tarde de segunda-feira me chega uma simpática carta do Exmo. Sr. Comandante do Destacamento da Brigada de Trânsito da Guarda Nacional Republicana duma terra do nosso país (fui simpático, não fui? Agora condescenda), a convidar-me para identificar o condutor da viatura que actual e normalmente conduzo (parece que esta passou em excesso de velocidade, e o senhor não quer crer que se trate de um parente do saudoso Kit – aquele que andava sozinho).
Está-me cá a cheirar que alguém ou alguma coisa me está a querer desmoralizar, e ainda não percebi bem quem, o quê ou porquê (esta última parte do "porquê", concerteza que alguns de vós até terão palpites, por isso elucidem-me, vá…)
Ora, como isto é um espaço que prezo muito e não quero ser rude, vou tentar desabafar duma forma educadinha e o mais cientificamente possível. Então cá vai:
AI A PILINHA!
ESTÃO A TENTAR FECUNDAR-ME E EU A OLHAR!
PILINHA DE UMA RELAÇÃO SEXUAL!
MENINA DA VIDA QUE DEU À LUZ!
Posto isto, só me resta olhar para o espelho, sorrir; levantar o som da música até me entrar pelo corpo; abraçar e beijar os outros de mim; e pensar que podia ser pior. Muito pior!
Aliás, não podia era ser melhor!


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Será?

Hoje Eu vou trazer para a ribalta a expressão mais irritante da Língua portuguesa - ex aequo (é latim!) com o "Os seus documentos" - o "é assim".
Esta "certeza" proliferou pelo discurso corrente de tal modo que se tornou intolerável e desrespeitosa. Intolerável pela repetição excessiva; e desrespeitosa pela ignorância do que realmente significa.
Tornou-se um vício linguístico. Muita gente chuta "é assims" para poder falar (alguns até roubam palavras para sustentar o vício, e tudo). Acham que todas as frases começam por "é assim" e uma ideia só tem audição se "for assim", mesmo se for antagónica com o "é assim" anterior.
Sabem ao que me estou referir, não é? Sabem? Está bem, mas Eu vou exemplificar à mesma.
Duas pessoas a tentarem debater um assunto, cuja importância nem sequer vem ao caso, já que estamos a falar de uma expressão tremendamente descarada, que teima em sair mesmo quando o bom senso aconselha a pensar antes de falar:
- é assim, isto é preto
- preto? mas isso é branco
- é assim, isto é branco, mas, é assim, podia ser preto
...
De certeza que já todos apanhamos com estes banhos arrepiantes de "pura convicção".
E o pior é que está para durar, visto que são as gerações mais novas que abusam de tal estup(ido)faciente oratório. Não só, mas sobretudo.
Eu não me lembro quando esta dependência surgiu, mas parece-me que dantes o verbo ser e o assim não se casavam tantas vezes como agora. Mas às tantas já nem sei. A poluição já é tanta, que enevoa a memória e ensurdece o passado...
Então, na minha opinião, É ASSIM: poucas coisas são assim; muitas podem ser assim; e quase todas nem sequer são assim. E, se pesássemos o é antes de o atirar, talvez participássemos em diálogos menos absolutistas e muito mais esclarecidos. Digo Eu.

(nem falo daqueles que iniciam as frase com um "não...", e muito menos daqueles que misturam os pós e resolvem começar cada sentença com um terminal "não, é assim...". Esses já só lá vão com uma cura de silêncio durante 4 dias úteis e uma noite sem dormir)


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Impulse vs impulso

Alguém se lembra daquele anúncio da década de 80 em que um tipo oferecia flores a uma rapariga, e ela ria-se? Aquele do (e Eu passo a citar) "E se de repente um estranho lhe oferecer flores?... isso é Impulse" (desodorizante anunciado).
Pois bem, passados vinte anos este reclame é completamente despropositado, não só por causa dos penteados e das roupas ridículas (como foi possível ao Homem enxovalhar tanto a imagem divina, e fazer disso uma moda?), mas, sobretudo, devido à circunstância de, nos tempos que correm, um “estranho” ser um potencial - rectifico, um provável - violador, e um cumprimento assumir as toneladas de uma injúria.
Actualmente o anúncio seria: "E se de repente um estranho lhe oferecer flores?... Isso é impulso"'...impulso de lhe dar uma joelhada onde sabe que lhe causa maior transtorno, ou atingi-lo com essa arma letal justamente denominada de "mala (do feminino de mau) de mão" - tudo truques que aprendeu nas aulas de Xing-Sui, ou num programa tipo Goucha.
Calma, minhas amigas! Um sorriso não é um assédio; um elogio não é um convite; e uma palavra não é um engate. E muito menos a combinação destas manifestações tem como objectivo, ou consequência, o abrir da braguilha.
Nem sempre a amabilidade masculina se alimenta de testosterona, e a simpatia de depravação.
Por vezes a cortesia surge como o respirar, e, se não for respondida, deve ser pelo menos considerada, está bem?
Assim não vamos lá, digo Eu.

(agora não me venhas com insinuações maliciosas, que é precisamente sobre isso que Eu acabei de escrever)

Bom fim-de-semana


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rapidinha : Dorido

quando deixo que a apatia me finque as garras nos braços, e espero resignado e quieto que a medíocridade me soque no estômago
(ainda bem que há hirudoid, digo Eu)


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Quarta (raio me parta) - convidado: Anastércio Leonardo

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Algo escuro de obscuro para tanta claridade
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(a minha nota prévia)
Antes que haja uma nota prévia que eu não venha a gostar, faço eu e não EU a minha própria nota prévia. É nota porque como vai ficar escrita é algo que quem lê nota. É prévia porque vai ficar antes do texto.Então a minha nota prévia é para dizer o seguinte: É com muito agrado que escrevo neste blog. Aliás é um privilégio poder escrever em algo que não é meu, ou num sítio onde a minha sogra não seja directora de um jornal. Sempre sonhei em escrever numa coisa que alguém dissesse isto tem valor, vamos publicar. Até cartas ao leitor tentei mas sempre sem resultado. Nunca mas mesmo nunca foram publicadas. Vá lá, vamos ver se desta consigo realizar o meu sonho. Pelo menos fui convidado.........!
(fim da nota prévia)
Texto propriamente dito:
Errata: o que eu queria dizer era texto eventualmente escrito de forma própria.
Estes últimos tempos tem dado matéria e panos para mangas. São vários os temas. Temos presidências, a novela Veiga - Sr. Nuno, o aumento da gasolina, entre outros.
E como tal quis falar de um tema actual. O Fiel ou Infiel na TVI.
NOTA: antes de ler o texto, procure quase no fim NOTA IMPORTANTE, porque realmente vai ser uma nota importante para compreender o conteúdo do texto. Já o texto é que realmente não tem nada de importante.
Há pessoas que me gozam e dizem, tu vês isso??? Ai que horror!!!!
Quando é a minha mãe que me apanha (não, eu não fico assim tão excitado, se calhar pensavam que eu ia dizer que a minha mãe me apanha com a mão na...... (bem, este blog deve ser lido por crianças vou terminar aqui) a ver o programa eu digo, "oh mãe acha que sim, eu não vejo isto, estava a fazer zapping".
Quando é o meu Pai apanhar-me, eu nem digo nada, porque nem tenho tempo, é ele que me diz logo "então pá a gaja já lhe saltou em cima".
Quando é a minha avô que entra e me pergunta "Então que estas a ver, é algum programa interessante?" Eu respondo, "oh vó isto é um programa que eu tenho de ver para fazer um relatório".
Quando são os meus amigos a gozarem-me por ver isto, eu digo "Vocês não sabem o que perdem.....é cada avião".
Quando são as amigas eu digo "oh pá eu choro a rir com aquilo, é o meu programa preferido".
Quando é a namorada eu digo "tu é que me podias arranjar um teste destes..........era uma boa prenda de anos".
A vocês bloguistas eu vou dizer o que penso.
Na verdade o programa é mesmo divertido, porque:
1º tem um apresentador que me faz rir como ninguém, alias, o Castelo Branco faz me rir mais, depois é ele o apresentador, que se fosse há uns anos passava perfeitamente por reforço do SLB, porque tem mesmo pinta de futebolista foleiro (ehehe sempre quero ver se não há censura por parte do EU).
2º confesso, as gajas são mesmo boas.
3º tem piada ver as reacções planeadas e forçadas tanto do apanhado como da apanhada, como do cornudo, como da cornuda. alias palpita-me que ainda vou ver alguns dos que já por lá passaram nas novelas da TVI, tipos Morangos com Açúcar.
4º a oração da bunda, quem não ouviu que ouça. Desde os discos do José Cid, que eu não via uma pérola daquelas.
5º o público, os comentários do público superam os comentário do extinto programa VIDA REAIS, as reacções do público são superiores as reacções que o público tinha nos tempos da A AMIGA OLGA ("as chavesssssss o dinheirooooooo").
6º A DONA FÁTIMA (não pensem que estou a gritar, é mesmo respeito por esta senhora). Esta senhora é uma SENHORA. Alias temos o público que é constituído pelo comum dos mortais, e temos a DONA FÁTIMA, uma Deusa. Aliás ela devia ter um espaço só para ela. Os seus comentários primam pela sapiência, pela experiência de vida. Tem sempre uma palavra amiga, e de compreensão tanto para o infractor como para a vitima. E diz aquilo com uma certeza e convicção, que até comove. Aliás esta senhora se resolvesse formar uma Igreja ela ia longe.
7º porque as gajas são mesmo boas (eu sei que já disse isto, mas é que são mesmo boas).
Agora espero que compreendam porque eu vejo o Fiel ou Infiel.
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Anastércio Leonardo
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NOTA IMPORTANTE: Faço uma sugestão, leiam apenas isto depois de verem uma vez o programa, quem já viu, pode ler (gostei mesmo disto, fica assim um texto tipo a Caça ao Tesouro).
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P.S.: sim eu também quis escrever um P.S., porque já que é para fazer um texto faço-o a séria.
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Pronto já ‘tá escrito o que tinha para dizer. Adeus
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N.R.: (AH! POR ESTA É QUE NÃO ESTAVAS À ESPERA Anastércio) Esta singela Nota de Rodapé (é isso que quer dizer N.R.) só veio ao mundo para exprimir o seguinte: Este moço é um génio! Qual lupa ambulante, pega nas miudezas dos portugueses (salvo seja, Anastércio) e transforma-as em textos enormes, no humor, na acutilância e até na escrita, como ficou provado em cima.
Agora, não o percam de vista e vão lá lê-o aqui. Ele merece e vocês também.


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