Caruncho

Depois de uns últimos dias tão martirizantes para a parte da minha pessoa que lida com as coisas mundanas – ele foi o disco rígido (?) do computador que ficou amolecido e a cremação da linha telefónica (e subserviente modem); a escuridão imposta alheiamente neste endereço virtual; a mais que injusta e frustrante derrota do Glorioso com o clube das antas; e a participação em cerimónias com honras ministriais (e outras que tais) – depois de estes retorcidos caprichos da realidade, dizia Eu, sinto que tenho de praticar o chamado cascanço em alguma coisa que me cause sublime irritação intercutânea.

Ora, nada melhor que virar, então, o foco da atenção para a dívida da insular Região Autónoma da Madeira. Mais concretamente, para o Presidente do Governo Regional daquela “aperolada” parte do Atlântico.

É que, segundo os cálculos de alguém, a Madeira, contraiu, à revelia do Governo Central, uma dívida que ascende aos 119,6 milhões de euros. Eu não sei quem desencantou este valor, mas isto a mim parecem-me trocos. Segundo os meus cálculos, o Governo Autónomo da Madeira, na pessoa do seu Presidente, deve pelo menos 12,566 triliões de euros a todo o Portugal.

A ver:

Só 77,8 milhões são devidos por cada vez que a fotografia dele apareceu nos jornais ou televisão, de perfil ou de costas;

Depois temos 5,3 biliões de euros pelas vezes que a fotografia dele aparece nos mesmos meios de comunicação social, de cara completa;

Temos ainda 786,3 biliões pela totalidade das vezes que a sua voz foi transmitida;

A grande fatia da dívida – 10,326 triliões de euros – refere-se, como se torna óbvio, à autorização de difundir imagens dos seus hábitos carnavalescos (principalmente quando tais práticas mostram partes da anatomia, que jamais deveriam ser contemplados por alguém que não estivesse sujeito a processos de tortura);

O restante montante é devido pelas vezes que ele evoca o nome de Portugal em vão.

Ah, e a este valor falta ainda o IVA, à taxa legal em vigor, e a contabilização desta entrevista na RTP que, andam para aí a anunciar, acontecerá na quinta-feira à noite.

Claro que a dívida poderia ser perdoada se o senhor em causa se disponibilizasse a vir para o continente durante 102 dias seguidos, com vista a proceder à mastigação, e posterior engolimento, dos dejectos caninos recolhidos nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. E de Setúbal, já agora. Isto em plena luz do dia e trajando unicamente umas collans roxo-vivo. De Lycra. Mas tenho cá uma desconfiança que ele não esteja para isso.


N.R.1: quero ressalvar, bem ressalvado, que o simpático povo madeirense nada tem a ver com esta dívida, que isto já se sabe: dívidas do estado ao estado, ninguém em particular paga, pagamos todos.

N.R.2: ainda pensei aproveitar o título para visar a versão “desportiva” do Dr. Miguel Sousa Tavares, mas depressa constatei que a revolta não era assim tão grande que merecesse dedicar palavras a tal personagem. Talvez para uma próxima...


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Nó na garganta

Por solidarização autorial, Eu fui intimado a levar este mEu corpo a uma cerimónia de inauguração com honras ministriais. Não quero estar para aqui a mostrar nomes - não quero envergonhar ninguém - mas desde o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, ao Ministro de Estado e da Administração Interna, a secretários deste mesmo estado, a representantes da Comunidade Europeia e respectivas entidades subsidiárias, até vários extractos de autarcas, vereadores, opositores, presidentes de ONGs, a D. Maria Barroso e Eu, estava lá todo o tipo de gente que se ocupa com estas solenicisses.

Chego lá - tinha de ser, para lá estar houve a necessidade de “chegar” antes de poder “estar” - e noto algo verdadeiramente espantoso: ninguém me conhecia. Nem sequer a malta da política, a quem Eu pago parte do ordenado. Para além deste facto, muito inesperado para a minha pessoa, confesso, outra coisa alojou-se-me na memória antes de pestanejar: todos os homens tinham gravata. E algumas mulheres também.

“Tu queres ver que eles não sabiam que Eu também vinha?” Pensei cá dentro, enquanto acostumava o sorriso à cara.

É então que o tal Alto Comissário se aproxima timidamente, e num tom despropositadamente embaraçado, pede desculpa em nome de todos os engravatados, alegando que se os tivessem informado que o protocolo envolvia a minha presença, tinham optado por um aspecto de cariz mais informal - tanta coisa para dizer que se soubessem que Eu ia tinham vindo mais à vontade, mas a malta da política e mesmo assim, auferem consoante as palavras que lhes saem da boquinha.

Dei-lhe uma forte palmada na omoplata esquerda, como se o homem tivesse acabado de elogiar a minha escrita, e explico-lhe para não se preocupar, que isso da obrigatoriedade da gravata para parecer alguém sério já não se usa. Estamos na muy civilizada Europa. Cada um deve ser levado em conta pelo que é e não pelo que mostra. E ainda tive quase para lhe dizer qualquer coisa como “o hábito não faz o monge” ou que “quem vê caras não vê corações”, mas refreei a tempo esta minha apetência para a filosofia poval. Até porque, por essa altura, Sua Excelência já se tinha ausentado a esfregar as mãos de satisfeito que estava perante a minha suprema compreensão e demasiada sabedoria. Ora, como não gosto de falar sozinho quando estão outras pessoas ao pé, calei-me.

A cerimónia lá continuou. E Eu também.


(parte desta história e fictícia, mas Eu não vou dizer que parte é para não estragar alguma moral ou interesse que possa existir por entre as palavras)


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APAGARAM-ME ISTO!

E Eu vou ver se consigo recuperar...

...está quase, mesmo quase...


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Se não puderem ir, COMPREM!

Caros leitores/seguidores/dependentes, aqui o amigo chuvamiuda tem a amabilidade de convidar todos os que lêem e sabem do convite (portanto, se já leste isto também já sabes, como tal, estás convidado!) para a apresentação do seu livro de poesia.
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Só que este livro, para além da tonelagem qualitativa da letras juntas em frases que se abraçam ao bom gosto, traz também uma oferta para quem o compra - SOLIDARIEDADE. Ainda por cima, é daquela que mais fofinha e reconfortante - PARA COM AS CRIANÇAS.
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Como tal, também Eu apelo à vossa presença. E se não puder ser no dia da apresentação, então que seja um pouco mais tarde, que a solidariedade vem sempre a tempo de ser saboreada.


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O surrealismo pintalgado na vida real

Circulo tranquilamente numa estrada deserta e quase tão direita como a rectidão da linha alva que a divide (começa bem...).
Ao longe, reparo que um automóvel que se aproximava em sentido contrário se encosta bruscamente na berma.
Preocupação. Antecipação de algo errado.
Acelero. Tento chegar perto o mais súbito possível.
O automóvel mantém-se intacto. Expectante, como se ansiasse pela minha observação.
Eu acelero mais.
Começo a avistar movimento através dos vidros.
Está quase...
Finalmente alinho a vista. Estanco a velocidade para afinar a percepção.
Vislumbro.

No interior daquele invólucro apoiado em quatro rodas, uma pessoa do sexo feminino (ao tempo que não escrevia a palavra “sexo”, já tinha saudades) espreme uma borbulha da testa de uma outra pessoa do sexo (duas vezes, isto está a ficar bom...) masculino, o condutor - facto que poderá ser revelador para alguns, mas que não representa nada para mim.
No banco de trás, uma criança, iluminada pela brancura das roupas que a cobrem, dependura os cotovelos nos assentos frontais para assistir à cena mais de perto.
Continuo a passar lentamente, e a contemplar involuntariamente. Tudo aquilo se movimenta languidamente no sentido das minhas costas.
Reviro-me. Não posso acreditar.
Mas é mesmo assim: um casal pára o carro subitamente para se dar o espremimento de uma borbulha, e o filho, atrás, observa. E Eu também. Cá fora, dentro do mEu carro.
Acelero de novo...

Tudo termina aqui – nesta vontade de o descrever - e aí - a ler, arrependidos do tempo que vos faço perder com narrativas tão parvas como esta.

(É com piscadelas deste calibre que Eu sinto a minha personalidade a consolidar-se numa forma cada vez mais adulta e consciente. É disto que se fazem as pessoas. É da vivência de experiências como esta que alguém pode dizer: Eu vivi!)
.
Tenham lá um bom fim-de-semana.


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Dois meses antes do Natal…

Desta vez parece que as notícias mais incómodas passaram para o lado daqui. Como tal, posso revelar com toda a seriedade que me caracteriza que as iras climatéricas têm boicotado cada minuto dos dois últimos dias. Eu até arriscaria mesmo reduzir a escala temporal para o segundo, mas tenho receio de exagerar.

E onde, neste nosso quotidiano, o mal pode correr mais mal? - exceptuando a Saúde, claro! Precisamente neste pequeno universo por onde comunicamos agora.

Ontem foram as oscilações energéticas que “rataram” a índole magnética do disco rígido (rígido, mas só até se acobardar com medinho das falta de electricidade) no computador onde tento trabalhar. Nada a fazer. Uma tarde anoitecida e paciência formatada para trocar de disco e voltar ao quase normal.

Hoje, após uma alvorada atordoada pelo rebentamento de trovoadas quase interiores, a linha telefónica carbonizou-se.

Na ausência de linha telefónica fixa resta a móvel, obviamente. Só que, onde me encontro para ter rede só na rua. E isto, nos dias molhados que acontecem, não só se torna incómodo, como ainda se reveste de “extremamente”. Mas teve de ser. Meto-me à chuva, ligo para o serviço de avarias da PT, uma, duas, três vezes ao longo do dia – e da chuva – até saber que o mEu caso será resolvido urgentemente sexta-feira à tarde (E esta urgência deve-se ao facto de se tratar de uma empresa). Pergunto à menina como posso solicitar “mais urgência” ao que ela me responde “Por fax, para este número”, por fax, disse ela, por fax. Nem lhe expliquei que não tinha linha e era por isso que estava a ligar. Não valia a pena.

Através do luso-expediente, lá arranjei maneira do técnico cá vir ao fim da tarde. Arranjada a linha, o modem, num assomo de pura inveja mesquinha, revela-se igualmente queimado. Já passava das sete, amanhã é novo dia de trabalho – espero Eu – pelo que, tive de fazer 160 km para desencantar um modem numa caixa nova. Faltam dez minutos para as onze da noite.

Parece que amanhã é que vai ser. A ver vamos.

Contudo, e apesar destas curvas todas, não queria deixar este dia sem escrever aqui qualquer coisa. Hoje, quando faltam dois meses para o Natal...


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Comanditíase botanoesquimose (um ensaio enorme, como se impõe)

Este texto surge em defesa/homenagem desses companheiros sem os quais nenhum homem (e algumas mulheres) se viam privados de momentos de êxtase únicos nesta efémera passagem pelo mundo dos vivos – os comandos à distância (ou controlos remotos, numa terminologia mais técnica).

Desde o rompimento da película plástica que os protege - talvez um claro e romântico paralelismo com a virgindade, talvez – que ali ficam eles dispostos a serem escravizados pelas nossa mão tiranas e ávidas de dedilhar por tudo o q é botão. Em troca de quê? De nada. Carrego, após carrego, estes pequenos e disponíveis servos satisfazem o nosso desassossego sensorial (visual, auditivo, térmico e o raio que nos parta) sem greves ou pedidos. Limitam-se a enviar os seus feixeszitos de infra-vermelhos ao serviço das nossas ordens mudas. Sim, porque quantas vezes pedimos gentilmente? Quantas vezes há uma retribuição ou participação de apreço? Por vezes bastaria um “muda lá para o terceiro canal, por favor” ou “Vou baixar o volume, está bem?” ou ainda “Obrigado por teres arrefecido o ar”. Mas não, agarramos, carregamos e pousamos – quando não amandamos para cima do sofá…

Pois bem, tudo tem um limite físico, até os comandos. Eles não refilam, é verdade, mas também vão envelhecendo, desgastando-se com a passagem do tempo e, sobretudo, com a servidão de uma vida dedicada à obediência sem reservas.

É por isso que hoje Eu venho alertar para respeitarmos um pouco mais os nossos/ vosso comandos. Eles merecem, todos nós sabemos que sim. Ainda para mais agora, que foi diagnosticada a doença que põe término à utilitária vida de um comando original – a Comanditíase botanoesquimose. Sim, não foi a tempo do prémio Nobel deste ano, mas concerteza será num dos próximos sufrágios, já que se trata de uma das mais reveladoras descobertas ao serviço de uma humanidade mais próspera e satisfeita.

Então, qual Messias carregando as mágoas da enorme comunidade de rectângulos com botões, cá estou Eu para revelar os sintomas de uma maleita que, mais antes ou mais depois, acabará por afectar e levar ao óbito cada um e todos os comandos por esse mundo a fora.

O primeiro mandamento a reter é que a Comanditíase botanoesquimose é inevitável, mas pode-se adiar, se tivermos atenção aos seguintes sinais, que, sendo sequenciais, não têm períodos definidos, pelo que há que prolongar cada um de forma a que o fim seja o mais distante possível. E são:

1- A doença começa a manifestar-se com desaparecimentos estranhos, normalmente o refúgio escolhido é o sofá – interior ou debaixo – podendo também ser uma ou outra peça de mobiliário. Quando o seu comando começar a desaparecer inexplicavelmente, já sabe – a doença apanhou-o e ele esconde-se pela vergonha de saber que o fim começou. Não o insulte, nem à sua família. Compreenda-o e acarinhe-o, daqui para a frente espera-vos uma fase difícil.

2- O próximo sintoma será o progressivo apagamento dos caracteres anexos a cada um dos botões. Começa pelos algarismos, mas alastrar-se-á a todos os outros. Aqui o mal já se está a efectivar de forma perigosa, não adianta recorrer a operações cosméticas como o uso de canetas. Há que começar a poupar o seu comando.


3- A seguir chega o desrespeito pela ordem recebida. Não é por mal que o comando não obedece quando carrega num botão, é mesmo insuficiência fisiológica, e nem vale a pena estar a carregar com muita força. Apesar de isto às vezes resultar, só está a sacrificar-se a si e ao “bichinho”. Se me permite o conselho, está na altura de ir à loja chinesa mais próxima, adquirir um comando de substituição, e guardar respeitosamente o seu comando original numa gaveta, ou num altar iluminado com velinhas aromáticas de todas as cores, montado expressamente para o efeito.

4- Se não optar pela substituição, esteja preparado para assistir a um processo de degradação que em nada o dignificará. Nem a si nem a ele. Este processo inicia-se com a separação das tampas em cada queda, por mais suave que seja, e em breve passará para o esventramento das pilhas e peças afins. É dramático e desnecessário.

Posto isto, espero veementemente que esta exposição ajude no futuro das relações Homem/comando, para que, em conjunto, possamos unir dedos e botões na construção de sociedades mais equilibradas e harmónicas para o desenvolvimento de um mundo que se quer moderno e em paz entre todos os seus participantes.


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Olha! Hoje dEu-me para isto

Misturaram-se numa das partes do acaso
Aceitaram e nunca mais de lá saíram
Foram-se enleando cada vez com mais força
Foram-se encontrando por detrás do Amor
Lá, naquele sítio que só ambos poderiam acender
E ficar

Prometeram ser metades até ao resto da vida

Sem querer, um foi com a morte
Levou a vida
O outro
Ficou com a metade do resto
(bom fim-de-semana)

Brincadeira

Há para aí muita maltosa que resolve criticar as criancinhas de hoje por já não brincarem como se brincava nos tempos idos. “Dantes é que era” dizem eles “Agora passam o tempinho todo agarrados aos comandos de uma consola, ou ao teclado, a olharem mumificados para a hipnótica luz do ecrã” (estas do “mumificados” e da “luz hipnótica” fui Eu que resolvi introduzir, já que a malta que se preocupa com isto não conhece este tipo de expressões).

Mas com o que querem que esta tenra gente se entretenha? Pergunto Eu. Eu sei bem como era divertido ter outro tipo de brincadeiras mais “pessoais”, digamos assim. Também passei por lá e sei como foi esclarecedor, enriquecedor e às vezes só dor brincar aos pais e às mães; às escolas; aos médicos; aos caubóis; aos polícias; com carrinhos; jogar à bola; etc e mais tal. Mas isso era dantes, quando qualquer uma destas coisas representava uma referência estável e definida. Agora não! Os tempos mudaram connosco. Aliás, nós, os que, então, tivemos o privilégio de coleccionar essas agradáveis memórias, é que mudámos os tempos (e as memórias dos que agora as tentam juntar).

Vamos lá olhar pelos olhos das nossas crianças e ver como poderá resultar cada uma das brincadeiras enunciadas nos tempos de hoje:

Brincar aos pais e às mães – um miúdo e uma miúda juntam-se, arranjam um ou dois bonecos como filhos, a coisa corre bem durante, digamos, 3 minutos mas depois, à primeira zanga, separam-se... Acabam à chapada e a puxarem os bonecos pelos membros, um para cada lado (há violência, não é desejável)

Brincar às escolas – para começar, têm de ser muitos e tem de haver um do qual nenhum dos outros goste (o que se torna difícil, a parte de serem muitos). Se o quórum for conseguido, o odiado põem-se a um canto e do outro lado todos os outros ficam parados sem fazer nada durante toda a brincadeira, ou - pior! – põem-se a chamar nomes feios ao isolado numa sonora berraria (promove o ódio e o ruído, não é aconselhável)

Brincar aos médicos – o que faz de médico tem de saber falar espanhol (há poucas crianças que o façam fluentemente, ainda para mais numa brincadeira com uma linguagem tão técnica)

Brincar ao caubóis – depois daquele filme da montanha, esta brincadeira está proibida (mais vale vestir os miúdos de cor-de-rosa e pô-los a brincar aos programas da manhã da SIC)

Brincar aos polícias – nenhum pai que se preze deixa o seu filho ter esta brincadeira já que há o perigo real do miúdo não acabar vivo sem sequer saber quem foi o assassino.

Brincar com carrinhos – é um perigo! A cada 4 minutos há um acidente, os pirralhos correm sérios riscos de aleijar os dedinhos

Jogar à bola - para quê? Se querem estimular a competição é muito melhor brincar aos dirigentes já que são eles que decidem os resultados

Posto isto, não será muito melhor manter uma criança longe destas realidades e deixá-la só mais uns aninhos na sua cápsula colorida até isto acalmar, ou até a criança deixar de o ser?

Ainda há os legos e afins, é verdade, mas também ao preço que está a construção, para se conseguir ter uma brincadeira de jeito há que recorrer à banca em larga escala, e aí, mEus amigos, o melhor é acabar logo com a brincadeira....


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Vucabuláriu

Escolheu ontem o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa dizer acerca do Ministro da Economia – Prof. Dr. Manuel Pinho - qualquer coisa muito parecida com isto: «Tem um vocabulário fraco, coitado. Deve ser falta de leitura...». E disse-o porque o referido Ministro tinha reconhecido um erro recorrendo à expressão «Foi um erro infantil».

Em relação ao erro do Ministro, e à forma como escolheu rectificá-lo, nem sequer vou gastar letras para comentar (no fundo, este não quer ficar atrás dos outros, presentes e passados). O que me está mesmo a preocupar desde então - chegando ao ponto da quase insónia pós-almoço – é a afirmação do Prof. Marcelo. É que Eu não sei o que quer dizer “vocabulário”, e isto faz com que sinta que, possivelmente, tenho de começar a ler para poder acompanhar a prosa eruditamente arrevesada do distinto e superiormente letrado Professor. Aliás, com este tipo de palavreado não sei sequer se o próprio Ministro entendeu o recado.

(Professor, sei que me está a ler - lê tudo para saber tudo, não é? – e por isso aproveito para lhe rogar que se empenhe no sublime esforço de refrear o ímpeto da língua, e tente discursar ao nível dos mais “coitados” que não têm a oportunidade de ter 754 livros por dia como Sua Excelência)


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IPO

Ontem fui lá.

Isto dito assim, a frio, até arrepia, não é? Pelo menos Eu fico gelado. É uma sigla que me lembra sempre o quanto a vida pode ser injusta e dolorosa. É precisamente por este motivo que resolvi escrever este texto (que ando a adiar há algum tempo).

Felizmente não foi a «esse» IPO que fui. Muito felizmente, acrescento. TODO o felizmente. Falo da Inspecção Periódica Obrigatória (aos automóveis). E faço esta analogia, porque é sempre nela que penso quando, numa qualquer berma, aparece um sinal a informar que temos um IPO a não sei quantos metros. É estranho e, sobretudo, é de mau gosto. Não entendo como é possível manter uma sigla comum para duas coisas tão infinitamente distantes na importância. Ainda para mais, no caso das inspecções automóveis, trata-se de uma sigla sem qualquer lógica – seria muito mais coerente indicar a presença de um Centro de Inspecções Periódicas Obrigatórias (CIPO é giro e fofinho, apetece logo lá levar o popó aos senhores do CIPO).

Claro que não há assunto neste mundo com o qual não se possa humorizar - até como forma de exorcizar medos e traumas – mas este é daqueles que me custa relativizar. Lembro-me da primeira vez que reparei em tal infeliz coincidência ter pensado: “Bom, possivelmente este paralelismo siglístico deve-se ao facto de ali se dirigirem verdadeiros cancros automóveis...” mas parei por ali. Por muito que goste de me rir comigo, este é um assunto que me limita a tentativa de humor. Não consigo. Assusta-me.

Portanto, se alguém que leia isto tem algum poder para mudar esta situação, ou conhece outro alguém que conhece outro alguém que tenha, faça-me esse o favorzinho, que Eu fico muito agradecido.

(em contrapartida, e para equilibrar as coisas para o lado das siglas, acho uma certa graça ao FEDER (fundos estruturais do quadro comunitário de apoio), porque dá azo a pronunciar «fdêr», do verbo “Feder” ou “Fecundar” (digamos assim), duas acções quase sempre ligadas à atribuição de um subsídio comunitário – ou cheira mal ou é para «fdêr» quem o recebe)

Bom fim-de-semana


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E pode ser anão?

“Descobridor ou inventor? Cientista ou poeta? Político ou artista? Corajoso ou talentoso? Quem é, para si, o maior português de todos os tempos… de Afonso Henriques até aos dias de hoje? É este o grande desafio que aqui lhe lançamos.”

É este o desafio que a RTP está a promover de três em três minutos em qualquer ecrã aceso e sintonizado naquele canal. Assim, à partida, não me parece coisa que esteja rumada ao sucesso, nem ao interesse da gente deste país, porque se há coisa da qual nós, os portugueses, não queremos saber para nada é dos outros portugueses. Muito menos dos “Grandes”, se é que esta nação intemporalmente miserável alguma vez teve ou terá tal coisa. Isso dos “Grandes”, seja o que for, só há lá no estrangeiro, que infelizmente acaba já aqui ao lado, em Espanha (pois é, como cúmulo supremo deste fado eterno nem sequer houve “estrangeiro” suficiente para completar a Península Ibérica).

Mas assim como assim, ao ler isto “Tem à sua disposição uma lista de sugestões, com alguns dos Grandes Portugueses, apenas para sua informação. Entre aqui e procure o seu favorito. Mas não se esqueça, tem toda a liberdade para nomear quem quiser.” Eu resolvi sossegar a curiosidade e espreitei para ver a lista dos tais supostos “Grandes Portugueses”. Deixando os olhos escorregarem até ao fim uma coisa me inquieta nestas “nomeações”: Faltam uns quantos. Eu diria até que faltam muitos. Como tal, e usufruindo do direito que me é conferido pela última frase do parágrafo chamariz, aqui ficam as minhas nomeações complementares:

A minha mulher; os mEus filhos; o mEu pai; a minha mãe; a minha irmã; os mEus sobrinhos; os mEus sogros; os mEus cunhados; as minhas tias; os mEus tios; os mEus primos e primas; todos os que pertencem à minha família mais afastada; os mEus amigos (independentemente do género e da intensidade); os mEus conhecidos; os mEus vizinhos; vocês e toda a vossa família e vizinhos; todos os que, sendo cá nativos, insistem em continuar a habitar Portugal, resistindo aos co-cidadãos que tornam ou querem tornar esta terra pior do que é, foi ou podia ser.


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Ah, então foi isso!

No pretérito mês de Setembro, uma equipa de cientistas canadianos, utilizando tecnologia tridimensional – possivelmente mais que caríssima – descobriu(?) que o sorriso(??) misterioso(???) de Mona Lisa decorre do facto dela ter sido mãe pouco tempo antes de ter pousado.

Isto, por acaso, é bastante curioso uma vez que, poucos dias antes desta notícia ter saído, a minha octogenária vizinha me tinha confidenciado, acabadinha de chegar da horta:

“Oh, vizinho, ando muito preocupada. As galinhas não põem ovos há dois dias, não há maneira de chover – na altura ainda não tinha chovido – a ver se o brócolos espicham, e continua a doerem-se-me as cruzes com esta angústia de não saber porque é que a Mona Lisa sorri. Gastam tanto dinheiro em tanta coisa que não faz falta, porque é que não estudam o sorriso da Mona Lisa, vizinho?”

Mais uma vez, a voz da idade porta as dores do mundo. Como é óbvio, tal como a minha vizinha, haviam por aí milhões e milhões de pessoas oprimidas e cabisbaixas pela ignorância de não saberem porque é que a Mona Lisa sorria. O estudo das alterações climáticas ou a pesquisa para a cura das maleitas incuráveis, perto disto, são coisas mais superficiais que os programa matinais da TVI (talvez não tanto, pronto).

Realmente, cada vez mais se impõe o gasto de verbas em prol da humanidade, em investigações que valham mesmo a pena. Há que empregar o tempo e os meios da ciência mundial eficientemente. Temos cada vez menos tempo para saber coisas tão essenciais como o porquê do sorriso da Mona Lisa, que isto de pensar que a senhora estava a sorrir porque o pintor assim lhe pediu ou porque tinha flatulado mais alto que o que esperava, é algo que não cabe na cabeça de ninguém que se preocupe deveras com o mundo em que vivemos.

E assim, não querendo deixar passar mais este importante marco na ciência mundial em prol de uma humanidade mais e mais esclarecida, em mEu nome e em nome das “vizinhas” deste mundo, Eu grito: Obrigado equipa de cientistas canadianos!


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Pior que as cobras

Quem quer já sabe que os americanos são uma malta terrivelmente competitiva que não quer ser ultrapassada em nada, custe o que custar. Muito menos no disparate. Ora esta norte-americanice genética acicata-se ainda mais na tribo do cinema. Vai daí, devem ter tido conhecimento do nosso “Apito Dourado”, e toca de engendrar algo ainda mais pateta. Algo que só caberia mesmo num rolo de fita hollyoodesca, daqueles em que a fantasia se ultrapassa a si própria para surpreender até o inacreditável.

O resultado aparece-nos às cores e com barulho em mais de 100 minutos. Chama-se «Snakes on a plane» - «Serpentes a bordo», em português, assim engolido pela bocarra da tolice que inspira - e é mais hilariante que as conversas do Major apanhadas nas escutas da Procuradoria. Pode parecer mentira, mas é verdade, é realmente muito mais engraçado. Eu, pelo menos, não consegui evitar que as gargalhadas se esgueirassem como cobras.

O enredo serpenteia (ai que saudades de um trocadilho tão...“americano” quanto este) em redor de um avião cheio de uma seita de ofídias no porão, que em pleno voo, por sabotagem alheia, se desprendem do cárcere e invadem todos os habitáculos do avião destinados às pessoas. Agora, se a este venenoso conceito juntarmos um conjunto de personagens tão díspares como um chiwawa, uma obesa depravada, um praticante de artes marciais e o inevitável agente do FBI, teremos o que temos – uma história que enleia e esmaga mais a realidade que as flexíveis costelas no corpo escamado de uma piton esfomeada (que neste caso tem uma dentição de fazer inveja a um tubarão branco adulto!).

O fim já só chega quando nada mais há para rir. Mas há. Temos ali um final digno de meter as mãozinhas num ninho de víboras para nos penalizarmos do tempo e dinheiro que gastamos com tamanha ofensa. Depois disto, sem dúvida que a expressão “mau como as cobras” atinge um outro nível metafórico – a partir de agora devia era ser “mau como o filme das cobras (no avião)”.

Não quero falar muito mais sobre a coisa porque acabei de comer agora, mas posso só adiantar mais isto: quem tem pavor a cobras – a chamada ofiofobia - fuja do interior das salas de cinema onde se exibe esta jóia suprema da fantochada; quem não tem, fuja da mesma forma, ou ainda com mais força (quem não resistir e for lá ver, não diga depois para aí que Eu não avisei).


NOTA: a anuência de Samuel L. Jackson em dar corpo a uma personagem deste “argumento” só pode ser comparada ao galináceo que o Quim enxotou para dentro da sua baliza no último jogo do Glorioso, na Luz, contra o Desportivo das Aves – equivale a disparar um míssil skud no dedo mindinho do pé.


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