A mania das misturas

Eis senão quando Eu achava que o mundo não me ia surpreender mais com as suas cedências aos caprichos humanos, alguém me informa de algo que contraria este meu “quase dogma”, enfastiando a minha sapiência com mais um dos devaneios da imaginosa mente dos filósofos da pátria do marketing.

Ora, numa época em que o ser humano permite que o seu instinto consumista (sim, porque o consumismo já passou a instinto como a alimentação ou a procriação da espécie - aos poucos, seguindo a doutrina da selecção natural a que nem o sr. Darwin escapou, estamos a substituir os dentes do siso e o dedo mindinho do pé por esta inerência adaptativa) seja hipnotizado por itens híbridos liquidificados na forma de bebidas clássicas que misturam a sua originalidade com sabores tantas vezes antagónicos – a que já só falta a água gaseificada com bolhinhas de vinagre ou o vodka-gasolina –, aparece-me a surpresa com uma garrafa de coca-cola* na mão.

Não é que a marca norte-americana resolveu "adulterar" a sua bebida – uma das mais vendidas do mundo, e portanto, universalmente aceite pelas mais diversas papilas gustativas – com o sabor a ...CAFÉ?! (está aqui)

Eu posso estar mais uma vez completamente à sombra da luz da realidade, mas um dos ingredientes principais e mais marcantes deste líquido composto não é precisamente a cafeína? O que é que eles pretendem com isto? Assumir que criam dependência com recurso a esta droga? Deve ser isso. Devem ter pensado: “Já chega de nos escondermos. Vamos lá deixar de enganar esta gente e criar uma bebida com sabor a café para eles não pensarem que somos traiçoeiros, senão a Igreja ainda se lembra de dizer que beber coca-cola é um novo pecado, e já não vamos para o céu...

Bem, depois desta pedrada na poça da originalidade - em que se adiciona algo a algo que já tinha esse algo – Eu estou mesmo a vislumbrar esta nova corrente a ultrapassar as actuais “mixórdias absurdas”, e quem sabe iremos ver em breve a nova seven up* com sabor a gasosa, gelatinas de mioleira ou preservativos com sabor a borracha.

* a coca-cola e a seven up são marcas registadas, e portanto não inventadas por mim

Bom fim-de-semana


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Transfonias

(INSTRUÇÕES: de forma a que possa usufruir deste texto em toda a sua plenitude, que não é muita, deverá pronunciar em voz a alta as frases escritas com letras capitais, tendo em atenção especial às sílabas em bold, que deverão ser repetidas até conseguir aperceber-se do seu segundo significado, mesmo que este processo o arraste para a exaustão das cordas vocais. Como tal, tente perceber o mais rápido possível, que Eu não quero ninguém rouco por minha causa. Obrigado)

Desde que tive um conhecimento mais sistematizado da maravilhosa Língua Portuguesa – do Português, para não criar confusões maliciosas - que mantive um carinho muito especial por algo que então me foi ensinado. Foi para aí no 9º ano do liceu que me foi apresentada pela cuspidora (literalmente!) e disciplinadora setôra Adelina R. a possibilidade de existirem certos “caprichos fonéticos” que poderiam adulterar a densidade das frases, mesmo nas obras e autores mais conceituados. Falo dos cácofatos, cujo termo encerra em si mesmo um delicioso exercício oral (ora experimentem lá a pronunciar num tom mais sonoro, e depois sílaba a síliba... sabe mesmo bem, não é?). Desde da altura em que fui consciencializado para mais esta potencialidade do nosso riquíssimo idioma (também por isto, digo Eu) que nunca mais a esqueci.

Se bem se lembram, como Eu me lembro, para a demonstração desta ocorrência era escolhido o título de um dos sonetos do maior poeta zarolho de todos os tempos – Camões - , e é precisamente este exemplo que vou apresentar para que os mais incautos possam aquecer a fonia antes de Eu passar concretamente ao que me trouxe aqui hoje. Pois bem, pronunciem então a seguinte frase de acordo com as instruções indicadas em cima:

ALMA MINHA GENTIL QUE TE PARTISTE


(já está? Já conseguiram ver o que o sacana do zarolho esconde nesta frase? Nem mais! O seio de uma amante qualquer que lhe passou pelas mãos)

Posto isto, e uma vez que penso já terem interiorizado ou recordado o conceito da cacofonia, vamos então ao que realmente interessa (quer dizer, ao que realmente ME interessa), já que todo este intrincado tricô de palavras serve para revelar uma frase que me tem orientado a conduta desde que a ouvi, não só pelo que significa semanticamente como o que representa foneticamente:

TODOS PEGAM TODOS RALHAM, SÓ EU É QUE NUNCA PEGO NUNCA RALHO!

Já está.


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rapidinha : Tantas vezes...

A ironia é a verdade de quem não quer ser desagradável. Outras tantas, a verdade é tão desagradável que passa por ironia

(irónico, não?)


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Apanhado

Numa recente viagem corisco ao Algarve Eu fui interceptado por uma brigada, mas não foi das de trânsito - desiludam-se - foi por uma Brigada Em Salvação Ou Unicamente Resgate Ousado - Secção para libertação de insectos sem hipótese (B.E.S.O.U.R.O.s.p.l.d.i.s.h.).

Parece que entre os 1 453 285 gelatinosos e multicoloridos “pingos de mosquito”, que enfeitavam o pára-brisas do mEu automóvel, se encontravam as sobras mortais do último exemplar de uma espécie altamente rara: o Karochus echborraxatus var. summarentus (nome vulgar: potencial-pasta-esborrachada-com-asas).

Segundo informação no local - prestada por um dos voluntários destas brigadas ambientais, enquanto tirava do bolso uma caixinha de fósforos vazia para recolher os “restinhos” e um lenço que lhe enxugasse os olhos humedecidos pela tragédia – comprovada logo ali através de prova gustativa directamente a partir do vidro, o fatídico encontro terá ocorrido a cerca 107 metros antes da saída para Silves, numa altura em que o bicho costumava atravessar a A2 para ir “esticar as asinhas à procura de repouso” (sic), “’tadinho” digo Eu.

Como resultado do nó com que nos atámos aquando a atribuição de responsabilidades - Eu e a minha consciência a puxar numa ponta, e os ambientalistas e a porcaria, literalmente, do animalejo agarrados à outra - já entreguei a situação à seguradora. Isto porque eles acham que foi o binómio Eu/carro que embateu no bicho, mas da minha parte há a certeza que foi ele que veio contra nós, num voo descontrolado e disparatadamente veloz; e não saio da minha! ainda por cima quando está em causa uma pena que pode ir desde a simples remoção voluntária da massa insectiva com esfregão Scoth brit até à raspagem da superfície vítrea com a unha do polegar direito.

Para mais, é suposto que ao viajar numa auto-estrada tenhamos um trajecto descansansadamente isento de animais. Ora, da mesma maneira que não se espera encontrar cães, gatos, javalis, cobras, lagartixas e outros mamíferos, segundo o principio tantrico-estradístico da equidade entre os seres vivos, também os dípteros, coleópteros e demais “pteros” deviriam estar apartados da faixa de rodagem para evitar estas questiúnculas, e a bem da sua própria sobrevivência. Em última instância é por isto que pagamos a taxa portageira.

Cá fico à espera do parecer, e, pelo sim pelo não, vou orando pela alminha liquidificada do carocho, e já agora pelas outras que largaram o corpo da restante panóplia de insectos que (ainda) jazem ao longo do vidro...
Bom fim de semana


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Aqui está…

E não é que ao entrar n’O meu mundo Eu dei com os olhos num desafio? Ainda por cima dirigido, sem rodeios, a este endereço! Ora como não sou de virar as ventas a reptos (com P), muito menos neste caso, aqui está a satisfação de tal incitação que consiste em usar estes locais para divulgar uma associação humanitária.
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Como poderão comprovar pelo texto anterior, Eu gosto um bocadinho de crianças. Um bocadinho também não...um bocado, pronto. As referidas são as minhas, mas também nutro um enorme carinho por todas as outras (desde que não me chateiem os tímpanos nem o corpo...), como tal, o meu primeiro impulso e instinto foi o de apregoar alguém que ajudasse essas que são, SEM DÚVIDA NENHUMA, a melhor coisa que a humanidade vai produzindo, mas também, INFELIZMENTE, as que vão sofrendo as maiores atrocidades e injustiças....Bem, mas isto já se começa a desviar do propósito e do espírito deste sítio.
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Então, a associação por mim propalada é...........(trrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr)...........................(trrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr).................(TCHAM!)

AJUDA DE BERÇO (quem não conhece, que entre no link e passe a conhecer, se faz favor)

E que bom que era que esta associação não tivesse que existir...

A corrente pára aqui, ou por outra, o desafio segue para quem quiser satisfazer as vontades monárquicas da sua real gana.


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(porque me apetece e isto é mEu)

Ela

(na banheira):
...
- se me molhares a cara de novo dou-te uma palmada...

Cara molhada de novo...plasht! (onomatopeia indicativa de palmada em pele molhada)

- buááá! Mau! Tu és mau!
- eu avisei...
- buáááá! Odeio-te!
- Tens a certeza do que estás a dizer? Olha que isso é muito grave, não se pode dizer assim sem ter a certeza...
- buááá! Buá! Não, não tenho a certeza...

(mais tarde, ao deitar):

- dorme bem, filha, gosto muito de ti
- eu também gosto muito de ti, pai
- pois, mas no banho disseste que me odiavas
- sim, mas não tenho a certeza...

Ele

(à tarde, em resposta a um “ai” suspirado por alguém que lhe vai sustendo a “fúria” dos 3 anos até à nossa chegada)

- o que foi T?
- nada, querido
- estás triste, T? (e vai de compensar a insuficiência da resposta com um carinho na cara que lhe traga a verdade)
- não... é o senhor M que está doente...
- deixa estar, T, quando eu for ao supermercado compro saúde para ti e para o senhor M

(e pronto, a brincadeira continua com mais um “problemita” resolvido)

Não são só o melhor do mundo, são o mEu mundo (no seu melhor)

O triunfo dos porcos

Pedem as boas maneiras - e sobretudo essa coisa do asseio - que cada passagem pelas loiças sanitárias deva ficar selada com uma lavagem das mãos. Eu até acho que a porta de saída deveria ser accionada por esta acção - quem se olvidasse, ou simplesmente quisesse sonegar este preceito, ver-se-ia obrigado a repartir a presença com a sanita, e companhia, até se vergar à torneira. Mais que "chique" ou mania, é uma prova de saúde e até de civilidade.

Contudo, nos lavabos públicos não é raro avistar companheiros de género e aflição que, depois de usufruírem das funcionalidades do espaço para se livrarem do que os aflige, saem sem mais fazer.

Não é isso que me incomoda - até porque alguns usam os bolsos como lavatório a seco, sinal evidente que a preocupação de não levar germes como bichos de estimação, ou mesmo vestígios tangíveis, é real - o q verdadeiramente "faz espécie" é o ar triunfante com que outros deixam a sala, vincando a sua... como é que Eu hei-de dizer...imundice - é isso! - com um olhar de soslaio para os parvos que ali ficam a lavar as mãos (muitos atrevem-se a prolongar o esgar triunfal até à sua própria evacuação dali para fora).

É que a mim tanto me faz que imitem o gesto mais conhecido de Pilatos para tirar os resíduos ou não (desde que não me toquem, nem em ninguém que me vá tocar depois); até aceito que pode haver causas mais que justas para tal "descolha" - um fetiche da(o) companheira(o); um fetiche do próprio; a necessidade daquele minuto para fazer algo desnecessário; etc -; mas o que me suja verdadeiramente o ser e o estar é o alarde do desleixe, é a vangloria da nojice, no fundo, é o assinalar asqueroso do asco em si. Que sejam suínos à vontade, agora não façam pirraça com isso que às tantas até parece que cheira mal.


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Prepúcio

Quero aqui manifestar a minha mais completa e sentida solidariedade para com esse pedaço da anatomia masculina, tão e tantas vezes maltratado e incompreendido – o prepúcio. (sim, o prepúcio!)

O ultraje chegou desde logo na atribuição do nome, que para além de feio é falacioso (caso tenha escapado, esta palavra aparece aqui muito induzida pela afinidade fonética com outro termo directamente relacionado com o assunto em questão – o falo).

Quanto ao feio acho que estamos entendidos – não é agradável de dizer para quem tem nem para “quem passa a ter”, digamos assim. Em relação à falácia: se “pre” é um prefixo que até se justifica pelo facto de estarmos na presença de algo que antecede outro algo; “púcio” (o tal algo que vem depois) só lembraria mesmo a quem resolveu inventar o termo, que até desconfio ter sido uma mulher – Eu tenho a certeza que nenhum homem em tempo algum faria subentender que a representação mais carnuda da sua masculinidade se poderia denominar por “púcio” (e poderia chamar-se “pre” tanta coisa mais agradável, específica, e estendível!).

Bem, mas a injúria não acabou aqui, e depois da ofensa nominal chegaram as afrontas físicas. Primeiro dissimuladas em justificações étnicas e religiosas, sendo as mais conhecidas aquelas decorrentes da tradição judaica em que, sob o pomposo nome de «circuncisão», se aniquila a pompa desta pele; e depois, como se não bastasse o disfarce religioso para atentar contra o nosso amigo prepúcio, ainda aparece um tal de Whitcomb Judson que, em 1891, resolve inventar um dos maiores agressores à integridade de tal superfície dérmica – o fecho éclair - que vai grassando a sua violência desde das mais tenras idades e dermes (no início da vida, em agressões involuntárias perpetradas pelas mãos inconscientes de pais e mães, e, mais tarde, por auto-flagelação, enquanto não há poder de decisão na aquisição de calças e calções de braguilha fechada com botões).

Agora, aparece a medicina encapuçada na bata da pediatria com a fixação do “...e não se esqueça de lhe arregaçar a pilinha no banho, para não colar, senão...” e lá vem com a ameaça da circuncisão.

Deixem o prepúcio em paz! Se ele cá está é porque faz falta, ou a selecção natural já se tinha encarregue se o fazer cair. Há que confiar na Natureza, e se, passados tantos anos de nos taparmos com vestuário (na rua), ainda existe tal “cobertura” é porque deve mesmo fazer falta – mais que não seja para pôr a descoberto algo, que não pensando, encabeça (cá está mais uma referência subliminar) as preocupações de muitos seres humanos.


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Actualização

Caro utilizador, para continuar a usufruir deste serviço deverá efectuar a sua actualização.

Se realmente for essa a sua vontade - não condicionada ou forçada por um estado de alucinação ébria - será necessário a renovação da licença que lhe permite ler conjuntos de frases, por vezes organizadas em parágrafos, desprovidas da palavra “nexo” e respectivo significado. Também a capacidade de distinguir pequenas letras brancas num fundo totalmente escuro terá que estar no seu auge, sob pena de poder pensar que “isto é difícil de ler”, ou até dizê-lo em voz alta – o que sem dúvida porá definitivamente em causa a forma como resolveu gastar o seu tempo.

Poderá resolver cada uma ou ambas as limitações, se for caso disso, através da leitura de qualquer um dos “textos” publicados anteriormente. Recomendamos, no entanto, que evite escolher os títulos que começam com “Quarta”, porque aí está a ser induzido em erro no que concerne à renovação da tal licença.

Assim sendo, e se continuou a ler até aqui (o que muito nos surpreende aos dois, mas principalmente a mim), deverá clicar em “sim quero” para poder efectuar a sua actualização de forma cómoda, segura e legal. Se por acaso já se arrependeu, então clique em “cancelar” e tenha uma boa vida, sem receios que Eu esteja zangado consigo (a sério que não fico, e tem em mim um amigo para tudo menos para emprestar dinheiro)


........SIM QUERO...........CANCELAR

(se a sua escolha residiu na actualização, o processo demorará cerca de 24 horas. Como tal, e para que não fique aqui a olhar para o monitor, quiçá hipnotizado pela beleza que dele emana causada pelo reflexo da sua imagem, deixo ESTA sugestão de leitura de qualidade, que, simultaneamente, funcionará como um teste à sua verdadeira determinação em voltar amanhã – se o fizer depois de ler este rapaz é porque realmente quis e ninguém o obrigou. Se voltar fique com a garantia que tentarei ser o mesmo outra vez, ou outro na mesma, caberá a si o julgamento)...............................................
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(entre parêntesis)

Terça-feira, 11 de Abril de 1972, 6 da manhã...

...virados 34 calendários, a necessidade de encher os pulmões e de gritar para viver continua a mesma.

(só ainda não me viraram de cabeça para baixo e me açoitaram; mas o dia não acabou...)