Coma chocolate, limpe-se por dentro e suje-se por fora

Este poderia ser o mote para sintetizar a fixação que os chocolateiros parecem querer assumir, cada vez mais, ao associar os seus produtos aos engenhos de higiene pessoal.
.
Mais que uma fixação isto já parece um fetiche!
.
Dá ideia que em vez de desnudarem as costas para levarem umas valentes vergastadas de uma qualquer obesa de meia-idade equipada com mascarilha e cinto de ligas, os senhores responsáveis pelo marketing achocolatado preferem vestir a sua imaginação de cabedal para chicotear a nossa inocente sensibilidade consumidora.
.
Senão vejamos, primeiro foi a ideia de pespegar o nome de um sabonete a um chocolate (para que não se duvide da minha clarividência na abordagem de um assunto tão melindroso e de relevante importância nos ciclos circadianos da borboleta branca da couve, aqui ficam os links do chocolate
e do sabonete). Mas até aqui, fica a burra fora das couves e o rabo da porca destorcido. Se quisermos ser compreensivos – no fundo estamos na época Natalícia, altura em que as hormonas da compreensão se excitam mais – podemos vislumbrar um ponto comum: o leite. O chocolate é de leite, o sabonete é branquinho e “cremoso” como o leite, e pronto. Uma pessoa vai dormir e não pensa mais nisso.

Só que agora, há pouco tempo, tive a triste descoberta a entrar pelo meu conhecimento adentro de que há um chocolate amargamente intitulado “Lindor”! Eu vou repetir devagar para que o pasmo geral tenha os seus espasmos particulares: L-I-N-D-O-R!

Ora, se bem se recordam os mais atentos à publicidade direccionada para os descuidos escatológicos da malta que vai ao geriatra, Lindor significa precisamente “fraldas para senhoras idosas que andam de baloiço”, tal como Black&Decker quer dizer berbequim; Gillette abrevia lâmina de barbear; Chiclete - pastilha elástica; e Control – perfume ou cheiro do amor (quem não se lembra daquele tipo a exclamar embevecido: olfacto amor com Control).

Mas será que os senhores suíços quererão deveras invocar, digamos que, a matéria que justifica a existência das fraldas para publicitar o seu doce produto? Não se torna demasiado óbvio que o pensamento “coma o chocolate Lindor e use depois as fraldas” surge mais imediato que uma diarreia, e isso afugenta o consumidor para a prateleira do papel higiénico de modo a assear visualmente a sua mente então conspurcada com tal relação, em vez de adquirir o produto?

Por isso, aqui estou Eu, tal como há dois anos (
texto que me traz enormes recordações e que me faz sempre bem ao sorriso relembrar...) para, erguendo a pena da razão, apontando o mindinho e vestindo os trapos de samaritano, tentar reencaminhar quem pensa nestas coisas para os trilhos da racionalidade e da lógica comportamental daqueles que esperam de si mesmos atingir os patamares decentes da Humanidade. Senão, por sequência e sem querer dar ideias (mais) parvas, um dia destes ainda teremos por aí umas belas barras de chocolate com recheio de creme de morango “Tampax”, uns bombons com pepitas de caramelo “Clerasil” ou uma tablete de chocolate branco e pedaços de amora “Carefree”, e ninguém quer isso, pois não?

Nestas letrinhas miúdas está implícito o mEu pedido de desculpas às prestigiadas e digníssimas marcas registadas que tão traiçoeiramente resolvi vilipendiar com a referência e utilização em algo tão fútil e fugaz como um texto mEu.

NR: aproveito esta efeméride para, através de mais um abraço, desejar publicamente os votos sinceros de umas Festas daquelas magníficas e espectaculares aos meus amigos (por ordem alfabética, para não desordenar as considerações):

Ana
Alexandra
Carla
Fátima
Isabel
Jorge
Lucinda
Nádia (o teu nome não é reconhecido pelo Word...)
Nuno
Sandra
Vitória

Acho que assim, consegui despir de nicks toda a gente que potencialmente ainda poderá ler isto, e colocar a coisa no campo onde está – o pessoal. Se alguém ainda ficou vestidinho - por ignorância da minha parte, claro está (no escuro) - pois bem, sinta-se também agasalhado por estes mEus votos.

Até para o ano, ou, como diz um destes meus amigos, “Até sempre”.


35 pessoas resolveram respeitar o aviso ali ao lado da seguinte forma