Instruções de uso

Venho por este meio informar o seguinte ao prezado e incrivelmente admirado amigo leitor (“incrivelmente admirado” pela sua capacidade de sofrimento visual - já que está provado que isto magoa a vista – e “amigo” porque só alguém que se considera minimamente amigo de quem está a escrever isto agora poderia perpetuar o sacrifício de o ler, daí que lhe devo o mesmo tipo de retribuição sentimental):

Se por acaso me conheces;

Se pensas que me conheces;

Se estás agora a iniciar-te nesse processo tortuoso e torturante que é conhecer-me;

Se pensas que um dia o poderás querer fazer;

Se fantasias com isso (de formas porcas e violentas ou não);

Fica desde esta altura (quer dizer, mais a seguir, quando acabares de ler) a saber que:

Das coisas que mais atrofiam a minha reduzida e instável estabilidade mental é a desistência de comunicação extemporânea e injustificada, quero com isto dizer que atrapalha-me o ser quando me deixam de falar ou de falar comigo (e falar nestes tempos da comunicação pode significar muita coisinha, por exemplo o “diálogo” através de transferência bancária é deveras importante e enriquecedor, literalmente). Por isto:

Se és ecologista e não gostas de magoar seres vivos (entre os quais ainda me incluo, por enquanto nestas décadas que se seguem);

Se respeitas a condição humana (idem, mas não sei se por décadas…);

Se achas que te preocupas um cagagésimo que seja com a pessoa que te escreve;

Se não queres ser vilipendiado em silêncios interiores;

Se te preocupam os feitiços, mau-olhados, bruxarias e outros disparates que qualquer pessoa comum pode imaginar ou desejar;

NÃO O FAÇAS! Não pares a fluência das palavras (li isto ontem num anúncio para terapia da fala e achei por bem encaixá-lo aqui) sem aviso. Quando te sentires ofendido diz (e ofende, que é sempre reconfortante); se achas que te desrespeitei, enuncia (da forma que quiseres); se simplesmente já descobriste que sou um chato do caraças, informa antes de te ires que Eu aguento, vivo comigo há trinta e tal anos e sei perfeitamente do que falas (até te posso ajudar a falar comigo, imagina!).

Fico-me por aqui e agradeço: OBRIGADO!

Antes das férias

Acordo mesmo antes de o querer fazer. Alongo os braços para rasgar tudo o que ainda me prende ao sono. Lavo os restos de mim do dia anterior, arrumo-me dentro desta pele, cubro-a e saio para mais uma semana. Parece mais uma, mas não é. É “aquela” antes das férias. Aquela que se vai sumindo em metade do tempo, onde as coisas pendentes como que foram esperando para desabarem num conluio sincronizado que nos obriga a questionar “se realmente será esta a melhor altura…?”. Cá está ela, a começar à Segunda e a acabar no Domingo, como todas as outras, mas demasiado tortuosa para conter só sete dias. Se se pudesse apagar uma semana ao calendário, esta seria a minha eleita, sem a mínima dúvida, saltava logo da penúltima semana “activa” para a semana das férias. Mas não é assim, por isso cá estou, de corpo e (meia) alma.

Sei que me vou arrastar por estes dias até ao “tal”, o que inicia as férias. Esse dia que, desde há tantos anos, marca-me na memória que o tempo realmente está a passar, que afinal sempre estou a caminhar nos anos, tantas vezes empurrados por outros que também fazem esse caminho. Nem aniversários, nem natais, nem passagens de anos, nem outras quaisquer datas instituídas para o envelhecimento. Em mim, desde que o comecei a encarar, são as férias de verão que riscam mais um traço no tempo, e vá-se lá a perceber porquê (vá-se lá, porque cá não vale a pena, nem quero, faz parte do que sou, que nem sendo assim por aí além, sempre me impede de ser outro qualquer).

Pode até parecer estranho, esta letargia que me enche o estar, quando tanta gente, toda a gente, anseia e quase desespera pelo início das férias. Mas encaro-o e aceito-o. E aceito-o porque sei que, tal como sempre foi, depois das férias de verão nada será assim. Algo por aqui mudará. Depois é só esperar pelas próximas férias...


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Sexo (mas mesmo à bruta)

Agora que captei a vossa mais dedicada atenção, gostaria de deixar as seguintes interrogações que me têm trabalhado na parte do cérebro a que nós, homens, não costumamos dar muito uso (só por admitir que tento estimular esta outra parte encefálica até estou a ficar com a voz mais fininha...)

E são elas:

Será legítimo cremar o corpo de um bombeiro?

Porque se diz “vais ver com quantos paus se faz uma canoa”, quando todos sabemos que o que é feito com paus são as jangadas e não as canoas?

Não será um cirurgião um bom talhante?

O que leva alguém a tentar pacientemente acertar o valor do combustível em múltiplos de cinco – 10 euros, 15 euros, etc. - ou noutros múltiplos quaisquer, quando depois irá pagar através de cartão?

Pensem lá nisto, bom fim-de-semana


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rapidinha : (em ti)

és o teu pior adversário - por mais que te esforces para ganhar, também não queres perder.
.
(o pronome pode e deve ser alterado, até porque fui Eu que escrevi isto e sou Eu que estou a ler)


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Morre velho!

E porque hoje é sábado – dia que não me faria escrever nada se não fosse o calendário - resolvi vir até aqui prestar uma simples mas intencional homenagem a dois dos intentos deste feriado 10 de Junho: Portugal e Camões.

Para tal vou chamar à dança um dos personagens a quem o poeta zarolho deu voz, recorrendo-se da sua “meia cegueira” para, num assomo de visão sobre a realidade lusa, melhor alvejar a pena àquelas pequenas grandes coisas que então, e agora, também demarcam este nobre povo. Senhoras e senhores…o Velho do Restelo.

Apesar de já ser velho há cinco séculos atrás, este jarreta ainda não morreu e, pior, muito pior, tal como então continua a tentar inquinar todas tentativas de epopeia que lhe chegam aos moucos, e naturalmente tendenciosos ouvidos, que, cheios de cerume, vão filtrando as suas verdades amargas, vociferadas depois num balbuciar amargo e repetitivo.

Mas o grande mal deste personagem, que todos vamos alimentando (contribuindo, voluntaria ou involuntariamente, para a sua sobrevivência), existe na transversalidade temporal com que actualmente calibra os seus devaneios. Se na originalidade dos seus condenos estes se viravam para um futuro – que se veio a provar mais ou menos glorioso – actualmente o Velho arrasta as pragas e agoiros não só pelo que virá, como também pelo que acontece e pelo que já foi. Intenta-o usando a vida que lhe vai restando no soar de gritos misturados de baba e vómitos azedos que trazem consigo o fel resultante da ira acumulada em úlceras raivosas, que lhe corroem o estômago e a consciência num processo de auto-consumição que extravasa para mortificar a alegria de quem o ouve ou tem de ouvir. Desta forma, por incrível que possa parecer, este idoso da desgraça continua bem activo, e cada vez com mais mobilidade, aparecendo nas mais diversas “praias”, onde importuna (ou entusiasma!) quem tenta, tentou ou simplesmente vê tentar.

Pela minha parte olho-o com pena, muita pena, por mim e por ele, que não encontrou na idade a aliada para uma existência tranquila, mas sim um apuro para o que, no fundo, sempre gostou mais de fazer: condenar. Desejo muito que mais cedo ou mais tarde se engasgue num dos seus balbucios venenosos, e deixe de vez este povo. Mas, como já aprendi que isso dificilmente acontecerá, de quando em vez ofereço-lhe um copinho de água açucarada, na esperança que, pelo menos naquela altura, lhe adoce a goela e acalme a revolta, a ver se mostra, pelo menos, um pouco de silêncio.
.
(Aqui fica a minha referência ao 10 de Junho, recorrendo à lembrança de dois exemplos extremos que só uma grande nação poderia parir. Um – Camões - existiu e foi enorme nessa existência que quase se confunde com a grandeza da própria pátria. O outro existiu, existe e existirá em quem quiser, desde que seja português)


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Noé? Néon?

Ainda a propósito daquela reportagem que passou esta semana na “nossa” RTP, volto um bocado atrás no tempo para relembrar o que me assolou a mente aquando, aqui há uns anos, tomei consciência da existência de uma hoste denominada (auto ou não) por neo-nazis.

Na altura lembro-me de ter pensado ao ouvir tal denominação pela primeira vez “O quê? Como é que se chama este novo agrupamento? Noé-nazis? Deve ser isso, pois. Numa clara alusão aos animais embarcados por Noé, resolveram fundir o conceito animal, com o nazi, o que não deixa de ser uma redundância, mas dado o enquadramento até nem fica mal.”

Contudo, ouvindo mais atentamente reparei que não era noé-nazis, mas que poderia ser néon-nazis. E isto, para além de soar mais parecido com o que tinha ouvido, até tinha mais lógica, já que tal como as lâmpadas de néon, também estes tipos precisam de um arrancador para que se faça luz intermitente naquelas cabeças. E luz roxa, neles ou nos outros (entenda-se por “arrancador” algo de externo que inflama o processo de funcionamento de determinado objecto, sem o qual tal processo não se consegue desencadear, deixando o objecto de funcionar e de ter uso autónomo possível).

Reparei no entanto que também não era por ali. Era mesmo neo-nazis, o que Eu ouvia. E isto não fazia réstia de sentido, já que o nazismo é velho e podre e nunca mais será novo.

Só o aparecimento do filme Matrix veio apaziguar-me o espírito quanto à legitimidade daquele epíteto. Ora como se chama o personagem principal daquela película? O tipo careca? Precisamente! Néo! Portanto, e uma vez a maioria da gente que se diz aderente desta “causa” (e “causa”, porque realmente causa coisas que nem vou qualificar) tem a cabeça rapada – por dentro e por fora -, o que se passa é que se trata de uma moda, isto é, os novos nazistas gostam do Matrix e principalmente do Néo, e por isso são carecas e se chamam de neo-nazis. É esta a explicação que Eu encontro.

Já agora, não deixa de ser uma explicação dolorosa, uma vez que sendo Eu alguém que impede que a sua própria cabeça tenha cabelos com mais de 5mm, e tendo partes do corpo desenhadas permanentemente, não me é nada confortável pensar que outro alguémzinho me possa confundir, um milésimo que seja, com tais seguidores. O que vale é que sou muito mais bonito!

Bom fim de semana


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O lugar infalível

Nesta vida só há duas coisas que preenchem por completo a exactidão da certeza como a conhecemos actualmente: a primeira é que nenhum de nós conseguirá escapar ao óbito (Eu sei que é frio escrever isto assim, aqui no meio de um cenário tão agradável, mas o bom da coisa é que estamos cá para ler); a segunda passa pela infalibilidade de que a ocupar um lugar de estacionamento destinado a deficientes (e só a esses, para o caso não entram os velhinhos ou as senhoras com crianças, dentro ou fora do corpo) está, sem dúvida, o automóvel de um deficiente.

Em relação à primeira não me vou por aqui a remexer tal veracidade, já que, como é do conhecimento comunitário, escarafunchar a Morte fede, e se há coisa que não me apetece mesmo nada fazer aqui, à vista de todos, é feder ou fazer com que o leitor feda (e muito menos que fedamos os dois em simultâneo!)

No que toca à outra asserção, essa sim posso desmontar e voltar a montar (subtil ligação ao brejeirismo fácil do parágrafo anterior) para que a possa interiorizar como sua.

Então, se ficarmos à espera que o proprietário do automóvel que ocupa o tal lugar resolva voltar ao interior do referido meio de transporte – coisa que Eu faço amiúde para combater a pressão do dia-a-dia – poderemos observar que: a referida pessoa apresenta uma deficiência físico-motora visível (o que é de lamentar, ressalvo desde já); a pessoa vem a andar ou a correr para o seu carrinho com a maior das normalidades e com os dois bracinhos a dar a dar, ou ocupados. Neste caso torna-se claro que também estamos perante alguém com uma profunda deficiência, porque, no mínimo, padece de uma insuficiência intelectual e cívica grave, que nos levará a considerá-lo como um deficiente mental.

Posso estar a ser profundamente injusto – como aliás até é mais que provável – mas para mim estes lugares estão lá, mais perto de acessos, para facilitar um pouco a mobilidade àqueles que já encontram dificuldades de sobra nos afazeres mais normais, e não será a surdez, a falta de um dente molar ou uma cicatriz no joelho que legitimará a categoria de “deficiente” (pelo menos neste caso). A deficiência mental sim.

Por isto tudo é como disse, os lugares de deficientes estão sempre ocupados por automóveis de deficientes – ou físicos ou mentais. Mais que indefectível, é certinho como a Tal.


Bom fim-de-semana


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Hoje é dia da criança….

…mas Eu não vou escrever sobre isso! Só venho aqui para descansar o prezado leitor e demonstrar que continuo atento às mais prementes e relevantes questões da actualidade que vão (des)norteando a nossa conduta cívica.

E começo já com a música, “a segunda respiração dos seres sensíveis e com tempo” como disse esse grande vulto do pensamento reptício – Eu. Este novo “sucesso” dos Anjos – A vida faz-me bem – começa com os seguintes versos “Atrás de mim / Há uma voz / A chatear e empurrar…”. Posto isto Eu sugeria o seguinte: não querem mudar o nome para anjinhos? É que só um anjinho se lembraria de começar uma canção com tais palavras (um anjinho ou o senhor lá dos reality shows da TVI, mas Eu gosto dos moços e não vou entrar em tal comparação).

Na mesma linha, li de soslaio, naquela que será talvez a revista com mais densidade cultural – TV Mais – que o “Mário do BB2” (é como lhe chamam! Envergonhem-se “Prémio Nobel José Saramago” e “Presidente Cavaco Silva”) declarou que (na prisão, pois claro) não o tratam mal, antes pelo contrário, é bastante “acarinhado”. Ora, é este tipo de revelações surpreendentes que se espera do verdadeiro jornalismo real – quem diria que um moço alto, loiro e bem parecido seria “acarinhado” na prisão? (como vê Prof. Carrilho o jornalismo também concorre para a verdade do conhecimento social).

Para finalizar esta breve resenha pela erudição, refresco umas declarações do novo treinador do Glorioso – Fernando Santos – com as quais não concordo. Disse o senhor “quero que o Estádio da Luz volte a ser um inferno”. Isto revela, logo à partida, uma de duas coisas: ele não foi ver a maior parte dos jogos da época passada, ou não é um verdadeiro Benfiquista (como apregoa). Eu encaixo-me nas duas premissas e posso revelar que para mim, durante este último ano o inferno existiu naquele Olimpo desportivo (pelo menos os adeptos saíram de lá várias vezes infernizados)

E pronto, poderia continuar aqui a expor a minha atenção às grandes causas mundanas, mas acho que por agora chega…

(já volto)


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